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Leituras de 2016 (novembro e dezembro)

Novembro foi um péssimo mês para leituras. Depois de terminar o primeiro livro desta lista, sofri uma crise de não saber o que queria ler em seguida, com todos os meus livros parecendo errados. Dezembro foi muito melhor. Comprei livros novos, adquiri um kindle e tive mais tempo para ler.

Ao todo, li 64 livros em 2016 e foi muito bom registrar minhas breves impressões sobre cada um deles aqui. Assim, quando a memória começar a me trair, terei tudo devidamente organizado para dar luz a meus pensamentos. Também fiquei satisfeitíssima que gostei da maior parte do que li e espero continuar com bons espíritos ao meu lado para fazer boas escolhas em 2017.

Eis os últimos do ano:

  • “Sonhos em tempo de guerra”, Ngũgĩ wa Thiong’o

Desconhecia Ngũgĩ wa Thiong’o (e não tenho nem a mais remota ideia da pronúncia correta desse nome), então talvez seja meio estranho que meu primeiro contato com o autor tenha sido este livro de memórias da infância. Porém, ótima escolha.

“Sonhos em tempo de guerra” é ótimo. É um mutirão de coisas completamente diferentes da nossa realidade, tratando principalmente da infância de Ngũgĩ no Quênia, sua luta e seu pacto com sua mãe para estudar, as guerras e conflitos políticos que dividiam regiões. Também pesquisei mais sobre a vida de Ngũgĩ e descobri que ele escreveu um romance inteiro em papel higiênico quando era preso político então espero demais que os outros volumes de memórias dele cheguem ao Brasil. E também quero ler algum dos romances. Um dia. #metas.

  • “Em algum lugar nas estrelas”, Clare Vanderpool

Esse livro é uma graça e uma sucessão de corações partidos. Conta a história de dois garotos que saem em uma jornada cheia de aventuras e perigos pela floresta, em busca de coisas que a gente duvida o tempo todo se são mesmo possíveis de serem encontradas. É sobre amizade. Sobre acreditar em uma coisa mesmo que todo mundo ache que você está errado, sobre ter alguém que fique do seu lado mesmo que não acredite no mesmo que você. No mais, é mais uma edição maravilhosa de linda da Darkside.

Para mais infos e mais palavras, vale ler a resenha de Analu.

  • “Dois irmãos”, Milton Hatoum

Arrastei a leitura desse livro. Não me leve a mal: achei bacana, gostei do jeito do Milton Hatoum e a história é interessante. Mas, nossa, como demorei a terminar. Talvez porque eu já conhecesse toda a história e não estivesse na curiosidade de saber o que ia acontecer. Enfim. A maior conquista foi terminar.

  • “Meia noite e vinte”, Daniel Galera

Eu adoro os livros do Daniel Galera. Estava louca para ler “Meia noite e vinte” e fiquei ainda mais empolgada quando minha edição chegou e vi que a capa tinha uma frescurinha laminada e brilhante. Sim, eu sou bem fácil. E gostei do livro.

Mais uma vez, Galera escreveu uns personagens que são um tanto quanto perturbados, mas, nesse livro, não é uma coisa LOUCA que nem acontece em “Cordilheira”, por exemplo. Talvez sejam os personagens menos insanos que eu já li dele. Porém. Eles são meio esquisitos e cheio de defeitos e reais demais. Às vezes é meio que um soco pois puta que pariu tem muita gente assim. É bem vida real. O negócio com o Galera é que eu sempre fico meio que mergulhada na vida dos personagens e é intenso. E tenso. Curto.

A fragilidade do homem era tocante. Milhões de anos de evolução desembocando em seres incrivelmente não adaptados ao ambiente do planeta, como demonstrava nosso sofrimento diante de mínimas alterações de temperatura ou falta de substâncias, uma vulnerabilidade humilhante a todo tipo de condição atmosférica, exposição a materiais e outros organismos, para não falar na ainda mais humilhante vulnerabilidade da nossa mente a qualquer baboseira, à ansiedade, à esperança.

  • “Talking as fast as I can”, Lauren Graham

Depois de assistir ao revival de Gilmore Girls, eu precisava continuar alimentando o meu vício de alguma forma. Então, li o livro da Lauren Graham. Achei sensacional e uma inesgotável fonte de sentimentos. Sofri de saudades e outras emoções lendo sobre como eram ótimas as gravações de Parenthood, como ela se sentiu voltando a ser Lorelai depois de todos aqueles anos, sua reação às famosas quatro palavras finais da série. É incrível como a Lauren é rainha no set de Gilmore Girls e como ela construiu amizades com todo mundo, especialmente com a galera de Parenthood (os Braverman são quase uma família real!).

O livro também incui momentos do início da carreira, da adolescência, de seu relacionamento fofo com Peter Krause e outros assuntos. E Lauren é muito engraçada, dei umas boas risadas. Mas, vale a pena mesmo se você é fã de Gilmore Girls ou de Parenthood ou das duas séries (euzinha).

  • “O doido da garrafa”, Adriana Falcão

Não sei se Adriana Falcão tem outros livros de crônicas, mas este foi o meu primeiro contato com o estilo. Ela fala muito sobre amor, sobre pessoas. Ela escreve daquele jeito que você lê num instante só, como de praxe. Mas, de todos os livros que li da autora até agora, foi o que menos gostei. O que não significa que seja ruim. Não é. E Adriana Falcão nunca é demais.

  • “Caderno de um ausente”, João Anzanello Carrascoza

Cacete. Esse livro foi meio que um tapa. Minha amiga e rainha Fernanda tinha dito que era ótimo, mas eu não estava esperando pelo tiro. E foi um tiro. E é mesmo ótimo.

O livro é uma história narrada em primeira pessoa para um pai que fala diretamente com sua filha, a neném Bia. Ele conta sobre o nascimento dela, divaga sobre o futuro, fala da mãe/esposa e de outros parentes. É bem poético. E, quando você já está meio que mergulhando nas descrições e pensando “puxa, que bonito”, vem ele: o tiro.

  • “Você vai voltar pra mim e outros contos”, Bernardo Kucinski

Já tinha lido outro Bernardo Kucinski e gostado. Quando peguei esse para ler, sabia que seria pesado, mas não esperava tanto. Tive que segurar umas muitas lágimas e vários apertos no peito foram incontroláveis. Os contos são todos sobre ditadura, principalmente no Brasil, e é forte. Especialmente quando a gente tá vivendo essas loucuras de pessoas alucinadas que defendem a volta da ditadura. Eu queria que esse livro fosse lido em voz alta em alguns ambientes.

  • “O menino no alto da montanha”, John Boyne

Esse livro causa um incômodo terrível. É a história de um menino filho de uma francesa com um alemão, na época da Segunda Guerra. Pierrot acaba indo morar na casa de Hitler e seu envolvimento com as coisas é uma coisa que chega me causou um incômodo físico. É uma criança que começa a acreditar em tudo aquilo e que acaba se misturando de uma forma irreversível. Mais uma vez, John Boyne usando crianças e guerras para revirar nosso estômago e pensar em como essas coisas são horrivelmente verdadeiras.

  • “O livro amarelo do terminal”, Vanessa Barbara

Já queria ler “O livro amarelo do terminal” há muito tempo e, quando finalmente adquiri meu exemplar, não fiquei decepcionada. É incrível. Não consigo lidar com o fato de isso tudo ser fruto do TCC da Vanessa Barbara. Essa mulher é fantástica. O livro retrata a rodoviária do Tietê e é escrito de um jeito que nossa. Mesmo que seja um livro reportagem, nota-se que é claro que Vanessa Barbara escreveria ficção um dia. Estou morta de vontade de ler logo alguma outra coisa dela!

No mais, edição tão bonita e bem pensada que chega dói. Recomendo.

  • “A cabeça do santo”, Socorro Acioli

Não sei quando nem o motivo de ter ficado com vontade de ler “A cabeça do santo”. Agora que resolvi ler, certamente não esperava gostar tanto. Achei sensacional. Fantástico mesmo.

A história acompanha Samuel em sua jornada pelo interior do Ceará. Depois da morte da mãe, ele sai na missão de encontrar seu pai, a pedido dela, e acaba morando na cabeça de um santo Antônio que nunca terminou de ser montado. A partir disso, ele começa a ouvir vozes dentro da cabeça e muda a vida da cidade, se mete em um bocado de encrencas e descobre um monte sobre sua própria vida e a da pequena cidade de Candeia.

A narrativa é muito boa, ler foi uma delícia. Tem muitas partes que eu gostaria de compartilhar, mas acredito que só o começo já é suficiente para modos de convencimento:

Ele não tinha mais sapatos e seus pés, àquela altura, já eram outra coisa: um par de bichos disformes. Dois animais dentados e imundos. Duas bestas, presas aos tornozelos, incansáveis, avante, um depois do outro, avante, conduzindo Samuel por dezesseis longos e dolorosos dias sob o sol.


Pode chegar, 2017!

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Minhas escolhas para um desafio literário luxuoso

Em 2016 resolvi participar do Desafio Livrada. Embora eu tenha passado muito tempo pensando em que livros escolher para cada categoria, meio que não tive muito sucesso. Até comecei bem, mas acabei renegando umas quatro ou cinco categorias e apenas não lendo os livros.

Apesar disso, acho a ideia de ter um desafio literário para dar uma animada nas leituras uma boa ideia. E, nesse espírito, eu e Analu resolvemos criar nosso próprio desafio. São 12 categorias – uma para cada mês do ano, uma média decente e possível. Cada uma de nós escolheu seis categorias de forma completamente aleatória e depois selecionamos os livros com carinho (e muitas dúvidas de minha parte). Acredito que agora vai.

Eis as minhas escolhas:

1) Uma escolhe livro pra outra
Quando falo para meus amigos fazerem o desafio também, adapto essa categoria para “um livro indicado por quem te passou” (mais que um desafio, uma corrente); mas, a gente apenas indicou um livro para a outra mesmo. Por escolha de Analu, vou ler meu primeiro Elena Ferrante, “A amiga genial“.

2) Autor brasileiro contemporâneo
Tenho lido bem mais literatura nacional nos últimos anos e pretendo continuar assim, pois ótimas descobertas. Fiquei muito em dúvida do que selecionar para o desafio e acabei deixando entre “Noites de alface” (Vanessa Barbara) ou “Sinuca embaixo d’água” (Carol Bensimon).

3) Autor oriental
É agora que eu finalmente leio o Haruki Murakami! Pretendo começar por “1Q84” mesmo, só não posso prometer dar conta de todos os volumes no mesmo ano. A meta é o primeiro, pelo menos.

4) Um livro com capa vermelha
Certamente lerei outros livros com a capa vermelha ao longo do ano, mas o escolhido é “Vermelho amargo” (Bartolomeu Campos de Queirós).

5) Um livro com nome de bicho no título
Tenho duas opções para essa categoria. Primeiro, “A elegância do ouriço” (Muriel Barbery) que muito me indicaram e fiquei bastante curiosa. A outra é “O último voo do flamingo“, pois acredito que não há como errar com Mia Couto.

6) Um livro lançado no ano em que você nasceu
Nasci em 1993 e descobri que esse não foi um ano fácil para a literatura. Vários autores que consultei na esperança de encontrar um livrinho lançaram livros em 1992 e 1994, deixando 93 como ano de férias ou qualquer coisa assim. Depois de muito sofrimento, adotei “Lituma nos Andes” (Mario Vargas Llosa).

7) Um livro com mais de 500 páginas
Também fiquei em dúvida na hora de escolher meu calhamaço do ano. Com muito otimismo no coração, espero dar conta de ler os dois. Quem sabe? Vou de “Os miseráveis” (Victor Hugo) ou “O pintassilgo” (Donna Tartt).

8) Um livro narrado por uma criança
Essa é uma categoria que eu acho que ainda pode ter mudanças, porque não tava conseguindo pensar em nada na hora que escolhi e boas oportunidades podem surgir. Porém, o escolhido foi “O diário de uma princesa improvável” (Meg Cabot), que me deixou bastante curiosa para saber se segue a maravilhosidade da série de origem.

9) Uma HQ
Mais uma escolha dupla: “Retalhos” (Craig Thompson) ou “Cachalote” (Daniel Galera), o único do Galera que ainda não li.

10) Um livro de não-ficção
Li bastante não-ficção em 2016, o que era algo que eu não tinha o hábito de fazer. Para o ano que vem, espero ler vários, pois curti. Os escolhidos para o desafio foram “Eu sou Malala” (Malala Yousafzai) ou “Vozes de Tchernóbil” (Svetlana Alexievich).

11) Um Saramago
Cês acreditam que eu nunca li José Saramago? Uma vergonha, eu sei. Fiquei feliz de ter esse empurrãozinho e pretendo dar conta de “As intermitências da morte” ou “Ensaio sobre a cegueira“.

12) Um livro lido por Rory Gilmore
A lista de livros citados em Gilmore Girls e lidos pela Rory é gigantesca. Ao invés de me jogar no Rory Gilmore Book Challenge que circula pela webs, escolherei apenas um para o desafio. Como a lista era grande, fiquei interessada em mais de um e acabei escolhendo três: “A redoma de vidro” (Sylvia Plath), “Reparação” (Ian McEwan) e “O poderoso chefão” (Mario Puzo). Talvez eu leia os três?

Sim, a gente chama o desafio de luxuoso.

Para conferir as escolhas da Analu, segue o vídeo da moça:

Que 2017 traga boas leituras e sucesso!!!!!!

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Leituras de 2016 (setembro e outubro)

Todo ano a minha meta é ler pelo menos 50 livros. E, nos últimos anos, eu vinha falhando miseravelmente. Agora, consegui chegar lá! Nesse último bimestre consegui chegar aos 50 e agora preciso apenas correr atrás do sonho de terminar o ano tendo lido os meus livros mais antigos que eu fico renegando na estante por falta de autocontrole e vergonha na cara.

Enfim. Eis as leituras de setembro e outubro:

  • “O meu pé de laranja lima”, José Mauro de Vasconcelos

Resolvi que não teria problema terminar de ler esse livro no ônibus, ainda que Analu tivesse me alertado sobre a possibilidade de lágrimas. Houveram muitas. “O meu pé de laranja lima” é um livro supostamente infantil, porém tristíssimo. A história da criança que vivia a pobreza, apanhava em casa e não conseguiu ser feliz para sempre com uma fonte de carinho é um baque. Porém, ótimo. E o tom da narrativa, contada por uma criança, é um acerto.

  • “Te vendo um cachorro”, Juan Pablo Villalobos

Passei “Te vendo um cachorro” na frente do livro da Elvira Vigna desta lista porque ia ver Juan Pablo Villalobos em uma mesa da Festa Literária de Maringá e queria terminar. Não terminei rápido o bastante, mas terminei com uma assinatura muito fofa do autor na minha página.

Ainda que eu não fosse fangirl do Villalobos, como agora que o vi sou (pois ele é 10), teria gostado do livro. A história acompanha o idoso Teo, que mora em um prédio cheio de baratas e outros idosos e conta tanto sua vida atual, nas picuinhas com os vizinhos, quanto seu passado como taqueiro e aspirante a artista. Os personagens são muito ótimos, várias passagens são muito engraçadas e as citações recorrentes a Adorno ainda dão um toque final para que eu curtisse ainda mais o clima.

  • “Felizmente, o leite”, Neil Gaiman

Li esse livro rapidinho em uma sentada só e me diverti. “Felizmente, o leite” é um livro infantil que eu quero um dia dar de presente para priminhos novinhos. É uma história divertida com dinossauros, viagem no tempo, vampiro, pônei, alienígenas, piratas, erupção vulcânica, balões – tudo contado por um pai que vai ao mercado comprar leite e resolve narrar aventuras aos filhos quando volta para casa.

  • Por escrito”, Elvira Vigna

Meu primeiro contato com Elvira Vigna foi bem sucedido. Amei a forma como ela escreve, o ritmo desse livro é com certeza seu ponto forte. A edição é da Cia das Letras e a capa é bem bacana, só não acho que tenha muito a ver com a história; até o clima é diferente.

O livro é escrito em primeira pessoa por uma mulher que viaja muito a trabalho, tem uma história familiar complicada e escreve para seu parceiro. Ao mesmo tempo que ela está falando com ele, ela acaba divagando em pensamentos próprios e, às vezes, eu também acabava me perdendo em outros pensamentos e perdendo um pouco o fio da meada. Talvez por isso, por não ter ficado suficientemente presa na história o tempo todo, eu tenha demorado tanto para terminar.

Acho que Valderez, a personagem principal de “Por escrito”, se daria bem com a protagonista de “Onde cantam os pássaros”. Talvez elas gostassem de conversar ou de ficar em silêncio juntas.

  • “Histórias de cronópios e de famas”, Julio Cortázar

Meu contato anterior com Cortázar tinha sido em um conto sensacional lido por indicação de um professor no primeiro ano da graduação: “Queremos tanto a Glenda”. Resolvi meio que de repente ler esse livro de contos e foi uma decisão ótima. Julio Cortázar é muito engraçado, gostei demais e achei uma leitura bastante divertida e fantástica. Quero ler mais.

As esperanças, sedentárias, deixam-se viajar pelas coisas e pelos homens, e são como as estátuas, que é preciso vê-las, porque elas não vêm até nós.

  • “13 shocking secrets that you’ll wish you never knew about Lemony Snicket”, Lemony Snicket

Isso na real nem é um LIVRO, mas vocês já sabem e eu confirmo: sou trapaceira e incluo na lista. É um booklet que faz parte de Desventuras em Série e foi liberado pela Harper Collins antes do lançamento do último livro da coleção. Li por motivos de fortes emoções após ver o trailer da série da Netflix e saudades intensas da minha série literária favorita na vida. Curtinho mas amor é amor. Dá para ler online e rapidinho no site oficial do Lemony Snicket.

  • “Granta em português #9: Os melhores jovens escritores brasileiros”

Livro de textos diversos é sempre aquela coisa: uns textos ótimos, outros nem tanto. (E um especialmente bem pedante e chato.) Essa edição de Granta não foi diferente. Teve  coisas que eu já tinha lido: um trecho de “Barba ensopada de sangue” que deu pra matar a saudade de Daniel Galera, um do Antonio Prata que, salvo engano, estava em “Nu, de Botas”. Teve Luisa Geisler que gostei, Vanessa Barbara e Carol Bensimon que preciso urgentemente ler mais. No geral, vale a pena para descobrir gente que você quer conhecer mais ou que vai preferir passar longe no futuro.

  • “Jumanji”, Chris Van Allsburg

Sim, é o mesmo Jumanji, essa é a mesma história do sensacional clássico da Sessão da Tarde. No livro, que é bem curtinho, as coisas são bem mais rápidas e o jogo não é tão profundamente explorado quanto eu imaginei que seria. O que, claro, é compreensível, visto que é um livro infantil e não foi feito para ser um calhamaço. Enfim. O filme é mais bacana, mas a leitura é válida.

O livro em si é obviamente muito belo, ilustrações incríveis, aquilo que a gente espera de um Cosac Naify. (e paguei apenas dez reais, pode mandar mais promoções de cosaquinhos pfvr)

  • “Pó de parede”, Carol Bensimon

Disse que queria ler mais Carol Bensimon, então comecei a ler mais Carol Bensimon. “Pó de parede” é um livro curtinho com três histórias. Achei bem bom – sinal de que minhas impressões com o “Granta #9” foram certeiras. Gostei bastante do jeito que Carol escreve. As histórias têm climas bem diferentes, o que achei legal porque parece que li várias coisas compridíssimas, mas na real li bem rapidinho.

  • “A Bela e a Adormecida”, Neil Gaiman

Um livro rapidinho do Neil Gaiman com uma história que empresta universos de Branca de Neve e A Bela Adormecida. Tipo isso, só que nada a ver. Em “A Bela e a Adormecida”, tem uma moça dormindo por anos e anos em uma torre, esperando ser despertada. Tem anões que buscam uma rainha muito branca e com cabelos muito escuros para ir até a torre e acabar com a maldição do sono. Tem uma velha que fica nessa torre, a única em todo o reino que não dorme. Não tem nenhum príncipe encantado.

Como sempre, Gaiman muito bom em criar um mundo novo, personagens meio sombrios. Fiquei com muita vontade de comprar para alguma criança!!!

  • “A máquina”, Adriana Falcão

Adriana Falcão, que mulher. “A máquina” é um livro curtinho porém tão sensacional que eu gostaria de viver nele. A narrativa da Adriana Falcão nesse livro é mais no clima do livro que é um amor da minha vida, “Luna Clara & Apolo Onze”, o que quer dizer que é maravilhosa e não dá vontade de parar nunca. É claro que amei.

A história é a de Antônio e Karina (SIM!) em uma cidadezinha minúscula chamada Nordestina da qual as pessoas estão sempre indo embora. E de um amor bonito que faz de tudo para continuar existindo sempre.

Eu vou morrer de amor, no meio do sertão, nos braços da seca, com a quentura fervilhando as ideias, enquanto tiver ideia, a vida desistindo de viver, indo embora, a vista turvando, o juízo evaporando, até o finalzinho, aquela hora em que a pessoa pensa com ela mesma, e agora, hein? Então não pensa mais nada e acabou-se.

  • “Farenheit 451”, Ray Bradbury

Meu Desafio Livrada está 01 vergonha, mas esse é meu escolhido para a categoria de autor indicado por um autor de quem você gosta. Quem gosta de Ray Bradbury é o deuso Neil Gaiman, que já escreveu sobre ele e que tem essa história maravilhosa lida com essa voz que eu poderia escutar por horas.

Infelizmente, as opiniões de Gaiman (e seus textos sobre) são melhores que o Ray Bradbury. Não gostei de “Farenheit 451”. Não gostei da história. Não gostei da narrativa. Minha edição (a de bolso da Globo Livros) é bem sem graça. Não gostei, ponto. Achei as coisas meio forçadas, os diálogos bem ruins e a coisa toda muito tediosa.

“Farenheit 451” é uma distopia em que todo o mundo vive alienado com coisas divertidas, que não exigem pensamentos e reflexões, e ter livros é um crime. Os bombeiros existem para incendiar casas de pessoas que são denunciadas por terem livros. E aí vem a história de Montag, esse bombeiro que de repente resolve pensar e fazer alguma coisa sobre isso. Até podia ser legal, mas não é. Não tem como não comparar e eu vou dizer que: se quiser ler uma distopia nessa vibe, fique com “1984” ou “Admirável mundo novo”.

Os últimos livros de 2016 estão chegando!!! Esperemos que o ano termine em glória.