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Leituras de 2018 (janeiro, fevereiro e março)

Olá, 2018. Avalio que comecei o ano bem. Sempre, é claro, dá para ler mais: se não ver essa série, se não for para o bar, se não tirar essa soneca. Mas, tá tudo certo, tudo tá fluindo. Aproveitei o momento em que as coisas ainda estão sob controle e segui firme com as minhas escolhas para o desafio literário fabuloso: sete dos meus livros lidos no primeiro trimestre do ano foram do meu desafio. Com isso, já concluí mais da metade das categorias (e agora sei que vou levar as outras com a lentidão traiçoeira que habita o meu ser). Enfim. Let’s.

  • “O inventário das coisas ausentes”, Carola Saavedra

Carola Saavedra foi minha escolha de autora latino americana, última categoria do desafio fabuloso e primeiro livro do meu 2018. Não tinha muitas expectativas porque não conhecia nada sobre a autora, mas gostei bem do livro. Carola tem uma narrativa que exige atenção para acompanhar, e às vezes fiquei um pouco confusa durante a leitura. A história é a de Nina e do narrador, que fala dela e fala de si, num vai e vem de tempo e gerações. É bacana.

“É necessário coragem para possuir as coisas, o homem velho diz, porque coragem não é só sair por aí vociferando meia dúzia de ideais, coragem é ser capaz das coisas mais prosaicas, como ter coisas que te prendam a um lugar, que te amarrem, coisas que pesem sobre teus ombros […]”

  • “Histórias de ninar para garotas rebeldes”, Elena Favilli e Francesca Cavallo

Eta livro bonito, nossa senhora. “Histórias de ninar” conta as histórias curtas sobre a vida de mulheres incríveis de diversas áreas – cientistas, artistas, atletas, políticas, escritoras – diversos países, idades e épocas. Não só é super interessante como também acompanha uma ilustração de cada uma dessas mulheres, com ilustradores e estilos diferentes, em um resultado belíssimo. Um afago.

  • “A guerra não tem rosto de mulher”, Svetlana Alexijevich

Essa foi minha escolha para a categoria 11 do desafio fabuloso (um livro que se passa em um momento histórico importante). “A guerra não tem rosto de mulher” é um livro de não-ficção que fala da participação das mulheres na Segunda Guerra Mundial. Já imaginava que seria pesadíssimo, mas mesmo assim foi um soco: não conseguia ler muito de uma vez. É um desses livros horríveis e maravilhosos, que te deixam mal, que fazem você pensar, que nunca te deixa esquecer que todas aquelas coisas são reais (a guerra, a violência sexual, a fome, a morte) e que, por todas essas coisas, é tão importante.

  • “As alegrias da maternidade”, Buchi Emecheta

Assinei a TAG por um único mês para receber a indicação de Chimamanda, pois achava que não tinha como não gostar de um livro indicado por Chimamanda. Felizmente estava certa. “As alegrias da maternidade” é um livro ótimo, que conta a história de Nnu Ego, uma mulher que passa por um bocado de tristezas. Buchi é muito habilidosa na hora de contar sobre a cultura e os costumes vigentes, e o livro fala muito da relação com a maternidade, casamento e de como era o papel da mulher na sociedade nigeriana.

A edição da TAG é bonita, mas tem na capa uma escolha pouco simpática, com a árvore genealógica que já é um spoiler imenso de todo o livro. E a revistinha foi meio que uma decepção. Mas enfim. Valeu a pena essa assinatura de um mês, pois o livro é mesmo muito ótimo.

  • “Tartarugas até lá embaixo”, John Green

Já disse aqui que um bom YA é aquele que faz com que eu me sinta como me sentia lendo Meg Cabot aos 14 anos – o que, hoje, é raro, mas ainda pode acontecer. Não foi o caso do novo do John Green. “Tartarugas até lá embaixo” conta uma história bacana, e é legal acompanhar a narração de Aza, que lida com seus próprios problemas enquanto tenta resolver o mistério de um pai rico desaparecido. É um YA honesto. Só não teve aquele efeito.

  • “O que deu para fazer em matéria de história de amor”, Elvira Vigna

Meu amor por Elvira Vigna segue mais do que declarado. Nesse livro, ela conta, com aquele seu jeito de conversa, a história de Rose e Arno, narrada por uma personagem que também fala de sua própria vida e amores (ou não) e que completa tudo o que não sabe com o que ela imagina que possa ter acontecido.

De fato, não é uma história de amor. Ou, ao menos, não é uma história de amor como pensamos que são as histórias de amor, e está muito longe de ser um “romance água com açúcar”. É uma história complicada, com questões não resolvidas e que a narradora vai destrinchando de um jeito tão envolvido que é impossível não ficar envolvida também. Elvira, uma rainha.

“Não é sobre tesão, esta história. É sobre a pouca importância. Uma vez ela tendo sido contada, será difícil recuperar uma frase de impacto que seja. Sequer um momento, de todos os relatados. Sequer um momento poderá ser eleito como determinante. São só coisas que acontecem ou que, pelo menos, aconteceram. Nada é de fato interessante, e a continuação se sustenta frágil em um ou outro detalhe que invento, ressalto.”

  • “Stardust – O mistério da estrela”, Neil Gaiman

Quando escolhi esse livro para uma das categorias do desafio fabuloso pensei: não tem como errar com Neil Gaiman. E, de fato, não tem como errar com Neil Gaiman. Para mim, é sempre uma delicinha ler um gaiminho. Dito isso, “Stardust” é o livro de Gaiman que menos gostei de ler até agora. Não é que não seja bom. É bom. Só não é tão incrível assim.

  • “Menina má”, William March

Nossa senhora. Eu sabia que esse livro ia ser tenebroso, creepy e meio assustador – não só pela capa, ou por ser publicado pela Darkside, mas pelo que eu já sabia da história. Só não achei que seria tão creepy assim. A história é a de uma menininha aparentemente fofa que é, na verdade, uma pequena assassina. O livro é todo contado acompanhando a mãe da garota, e a parte do passado dela é também bem interessante e, pelo menos para mim, inesperada, o que me fez jogar o queixo no chão. O final também me deixou de orelha em pé, então é um livro que cumpre com todos os requisitos do gênero.

  • “A cor púrpura”, Alice Walker

Finalmente! Coloquei esse livro na minha categoria do desafio de livro que não sabia a razão de ainda não ter lido, visto que há tempos queria ler e nada nem ninguém apresentava argumentos para que a leitura fosse adiada. Quando li, entendi os amores: “A cor púrpura” é bom demais mesmo.

O livro conta a história de duas irmãs que se separam e vivem vidas muito diferentes. Toda a narração é feita através de cartas, ou de uma irmã para a outra, ou de uma das irmãs para Deus. Achei brilhante a forma de narrativa, a linguagem usada, a maneira como os personagens são introduzidos e descritos pela voz das duas personagens principais, as questões raciais e de gênero presentes a todo momento. É bom demais.

No mais, Alice Walker vem para contrariar minhas suspeitas de que eu talvez não fosse muito com a cara de aclamados romances estadunidenses (que eu tinha pois fiquei com uma sensação de ah-mas-era-só-isso?  depois de ler “O sol é para todos” e “O apanhador no campo de centeio”).

  • “A filha perdida”, Elena Ferrante

Elena Ferrante é sempre Elena Ferrante. Li “A filha perdida” rapidinho e fui atropelada mais uma vez pelas drogas pesadas que essa mulher insere em suas páginas. Gostei bastante da história, além de poder passar meu tempo pensando em como ela não abre mão de algumas questões e como isso pode se relacionar com as experiências de vida da autora – será que Ferrante tem algum trauma com bonecas? Será que Ferrante tem uma relação complicada com as filhas? Será que Ferrante já viveu causos transformadores em viagens para a praia?

A história é curtinha, mas certeira. Narrado em primeira pessoa por Leda, uma professora universitária tirando férias sozinha, o livro aborda toda a observação que a personagem principal faz de uma numerosa família napolitana na praia, especialmente a relação de uma jovem mãe com sua filha, que faz com que Leda também conte bastante de suas próprias filhas. Vale a leitura.

  • “Vermelho amargo”, Bartolomeu Campos de Queirós

Nem lembro mais por que eu queria tanto ler esse livro. Só sei que quando a Cosac Naify faleceu e começou a ser impossível encontrar uma edição, fiquei bem triste com a possibilidade de nunca ler. Aí um belo dia dei de cara com o livro disponível, comprei afobadíssima e só quando o exemplar chegou é que descobri que não precisava ser afoita: “Vermelho amargo” já foi relançado, agora pela editora Global, com a mesma capa da falecida.

Nunca tinha lido Bartolomeu Campos de Queirós, mas foi uma boa surpresa. A narrativa do autor é bem bonita, poética, me lembra um pouco o estilo do Valter Hugo Mãe, sabe como? Inspirado. A história é narrada por um menino que perdeu a mãe e convive agora com sua família e uma madrasta, falando de como é lidar com a ausência e com a nova presença. É curtinho e bonito, passa rápido.

“Impossível para uma criança viver a lucidez da ferida que se abre ao nascer, e não há bálsamo capaz de cicatrizá-la vida afora. Nascer é abrir-se em feridas.”

  • “Toda terça”, Carola Saavedra

Começo e termino este post com Carola Saavedra. Também gostei de “Toda terça”, que conta a história intercalando dois pontos de vista: o de Laura, uma carioca em suas visitas ao terapeuta, e o de Javier, um latino em um país estrangeiro em um relacionamento com uma estudante. De início, achei que as histórias não se encontrariam em ponto nenhum (ah, a literatura contemporânea!); mas, no fim, gostei de ver como Carola ligou os pontos.

No mais, seguimos lendo.

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Minhas escolhas para um desafio literário fabuloso

Antes de 2017 eu não costumava estabelecer metas específicas para minhas leituras do ano, pelo menos nada além da minha meta fixa de ler 50 livros (o que eu não consigo cumprir sempre, mas essa é a vida que vivemos). Porém, em 2017, eu e Analu resolvemos criar nosso próprio desafio literário, o desafio literário luxuoso, com doze categorias (cada uma de nós criou seis) para escolhermos livros a serem lidos durante o ano. E funcionou super! Foi bacana ter alguns livros em vista para me guiar e, então, estamos repetindo a experiência em 2018.

Nesse ano, o desafio literário é fabuloso. Eis as categorias (mais uma vez são doze, seis minhas e seis da Analu) e minhas escolhas.

1. Um livro que você não sabe porque não leu ainda

“A cor púrpura”, da Alice Walker. Conheço várias pessoas que leram e amaram e vejo sempre comentários muito bons sobre esse livro, que eu tenho muita vontade de ler. Por que ainda não li? Não sei. Mas agora vai!

2. Um livro de realismo mágico

Taí um gênero que gosto e que quero ler mais. Para esse desafio, escolhi “Bestiário”, do Julio Cortázar. Até agora, li apenas um livro de contos do autor e gostei bastante, então espero que essa seja uma leitura bacana. Além do mais, gosto de ter um livro de contos para dar uma quebra depois de ter lido alguma coisa que achei particularmente pesada.

3. Um livro cujo título seja ou contenha um nome de pessoa

Outra oportunidade para ler uma autora que tenho muita vontade de ler, mas acabo nunca lendo. Vou ler “Paula”, da Isabel Allende. Impossível pensar em ler Isabel Allende sem pensar nos comentários sobre ela feitos por Luisa, então tenho altas expectativas para a leitura de “Paula”.

4. Um livro publicado no ano em que você entrou na escola

Entrei na escola em 1999, com seis anos – o que é até tarde, considerando que a maior parte das migas da minha geração começou a escolinha com três ou quatro anos (na minha cidade isso era normal, tá?). Olhando as opções de livros publicados na época, escolhi “Stardust”, do Neil Gaiman. É sempre bom ler Neil Gaiman, acho que não tem como escolher errado desse jeito. Esse é um livro dele que tenho curiosidade, mas sempre acabo deixando para depois; lembro que vi o filme há muito tempo, mas já não recordo nada da história, então será 100% de surpresas.

5. Um livro escrito por uma mulher negra

Escolhi para essa categoria “As alegrias da maternidade”, da Buchi Emecheta. Esse livro foi um dos livros da TAG em 2017, indicado pela Chimamanda – o que, óbvio, foi o motivo que me fez assinar um único mês do clube para receber o que quer que fosse que a Chima achasse que a gente deveria ler. Sinceramente, acho que não tem como dar errado.

6. Um autor ou gênero que merece uma segunda chance

Bom. Às vezes eu crio umas categorias que nem sei. Para essa, escolhi ler “As crônicas marcianas”, do Ray Bradbury. Do autor só li “Fahrenheit 451” e não gostei, mas as pessoas gostam tanto que resolvi que vou dar mais uma chance pro menino Ray e testar esse outro livro que é, junto com o “Fahrenheit 451”, o mais famoso. Vamos ver.

7. Um YA

Sempre bom ler um YA! Já falei que os melhores YA para mim são os que me despertam aquele sentimento de estar lendo Meg Cabot aos 14 anos, então é meio que isso que espero que essa categoria faça por mim em 2018. Escolhi dois pois não soube decidir: lerei “Tartarugas até lá embaixo”, o último do John Green ou “Fazendo meu filme”, da Paula Pimenta (o primeiro da série, no caso).

8. Um livro que se passa em um lugar que você quer conhecer

Tem uma infinidade de lugares que ainda quero conhecer um dia, mas, para esse desafio, resolvi escolher a Itália (sim, eu sou um clichezão). Escolhendo Itália, é evidente que escolhi ela, Elena Ferrante. Pretendo ler “A filha perdida”, mas quem sabe eu não resolva fazer a doidera de chafurdar na doença que é a Ferrante e acabe lendo também “Amor incômodo”?

9. Um clássico do terror

Confesso que não sou de ler livros de terror, então não devo ter lido nenhum dos clássicos desse gênero. Para o desafio, resolvi ficar com um dos mais óbvios (e talvez um dos poucos que eu realmente tenho vontade de ler) – “Frankenstein”,  da Mary Shelley.

10. Um clássico da literatura brasileira

Tenho lido mais literatura brasileira, mas não tenho lido nada dos clássicos. “Grande Sertão: Veredas”, de João Guimarães Rosa, é um dos que mais tenho vontade de ler nesse âmbito e tenho muitas expectativas para essa leitura.

11. Um livro que se passa em um momento histórico importante

Tá, escolhi para essa categoria um livro que não é de ficção, o que talvez seja um pouquinho de trapaça. Lerei “A guerra não tem rosto de mulher”, da Svetlana Alexijevich, que também é um dos livros do Leia Mulheres de Maringá para esse semestre, então lá vai duas metas.

12. Um autor latino americano

Para essa categoria fiquei com “Inventário das coisas ausentes”, da Carola Saavedra, escritora nascida no Chile e que veio para o Brasil ainda criança. O único contato que tive com a Carola foi na Granta, e agora já não me lembro mais se gostei ou não (fico um pouco confusa com livros com vários autores, visto que minha memória é uma piada de mal gosto) – vou refrescar a memória com esse romance.

Para ver quais foram as escolhas da Analu, fica o vídeo:

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Leituras de 2017 (novembro e dezembro)

Acabou 2017. Nesse ano, li 52 livros no total, bati minha meta anual de chegar aos 50 livros e posso dizer com o alívio das boas escolhas que gostei da maior parte dos livros que li. Alguns foram escolhas do desafio luxuoso, alguns foram para o Leia Mulheres de Maringá, que começou a existir em agosto desse ano. E li mesmo mais mulheres: 33 dos livros lidos em 2017 foram escritos por mulheres. Também li bastante coisa brasileira, 23 dos livros foram de autores tupiniquins.

Eis a minha última leva do ano, banhada em desejos de um excelente 2018 literário.

  • “No seu pescoço”, Chimamanda Ngozi Adichie

Livro de contos é sempre aquela coisa, você gosta de uns contos e não gosta de outros, né? Nem sempre. Chimamanda conseguiu a proeza de reunir em um livro uma série de contos tão maravilhosos que não teve unzinho que achei ruim. Claro, houve gostei mais de um do que de outros, pois sempre, mas não desgostei de nenhum. E, claro, foi uma das minhas melhores leituras do ano pois não tem como não ser quando Chimamanda está envolvida.

Os contos de “No seu pescoço” discutem uma série de questões que envolvem cultura e preconceito, falando bastante sobre como os países da África são vistos nos Estados Unidos, essa relação de imigração, a vida em um outro país, a ideia do visto americano como um grande presente. São assuntos sobre os quais a autora já fala em “Americanah” (que amo do fundo do coração), e que nesse livro podemos ver de formas diferentes, acompanhando personagens e situações distintas.

Meus contos favoritos (praticamente todos, mas com destaque para): “Uma experiência privada”, “No seu pescoço”, “Jumping Monkey Hill”.

Lança mais livro, Chimamanda!

  • “Casa 12”, Leticia Constant

Comprei esse livro em um estande da feira literária da cidade sem saber absolutamente nada sobre ele, movida pelos motivos de: edição bonitinha e preço de cinco reais. Li rapidinho e achei bacana. Leticia Constant conta a história de sua infância, escrita como se contada por ela ainda como criança – o que deixa a linguagem e a perspectiva dos acontecimentos bem interessantes. É um livro fofinho.

  • “Heroínas negras brasileiras”, Jarid Arraes

“Heroínas negras brasileiras” foi o livro de novembro do Leia Mulheres de Maringá e li de uma só vez. Peguei o livro emprestado de minha amiga Fernanda e comecei e terminei a leitura no sábado, mesmo dia em que faríamos o encontro sobre o livro. Achei incrível. Nunca antes tinha lido um livro de cordel, mas gostei muitíssimo. Fora isso, as histórias de mulheres negras de diversos lugares do Brasil selecionadas pela Jarid batem forte e precisam ser lidas. Não bastasse tudo isso, a edição é belíssima. Leiam.

  • “Assim na terra como embaixo da terra”, Ana Paula Maia

Outra leitura feita para o Leia Mulheres da cidade e um livro que acredito que jamais leria não fosse esse impulso. Fico feliz de ter tido esse impulso, pois gostei bastante. “Assim na terra como embaixo da terra” não é como o que costumo ler, pois é um livro de ação, em que as coisas acontecem uma atrás da outra, sem aquele mergulho no pensamento dos personagens. Ana Paula Maia é roteirista e isso fica evidente durante o livro, porque a narrativa é cinematográfica, eu conseguia enxergar tudo conforme avançava a leitura.

“Assim na terra como embaixo da terra” fala sobre uma colônia penal, um lugar isolado com um histórico horroroso que foi construído para que nenhum preso jamais saísse de lá. Quando o livro começa, restam poucos dos homens condenados à colônia, a maioria mortos de uma forma inacreditável e violenta, que não vou comentar porque esse livro não merece spoilers. É um livro forte, que faz pensar sobre um bocado de assuntos e que não nos situa no tempo e no espaço, o que dá a sensação incômoda (e real) de que pode já estar acontecendo.

  • “1Q84”, Haruki Murakami

“1Q84” foi meu livro escolhido para a categoria de um autor oriental do desafio luxuoso. Nunca tinha lido Murakami antes e estava cheia de expectativas para esse livro, que é tão celebrado no mundo inteiro. Porém. Esperava mais. Quando finalmente engatei a leitura e comecei a simpatizar mais com a história, acabou. Sei que isso faz sentido, afinal ainda tem outros dois livros para ler, mas eu esperada uma história forte do início ao fim. É um bom livro, só esperava mais mesmo.

  • “Eu sou Malala”, Malala Yousafzai

“Eu sou Malala” também foi um dos escolhidos para o desafio luxuoso, na categoria de não-ficção. Na verdade, acho até um crime eu ter chegado em 2017 sem ter lido esse livro. E que bom que li! Gostei bastante da leitura, aprendi um monte de coisas com a quais não tinha tido contado e, no geral, fiquei bem feliz que esse livro foi escrito. E Malala, que pessoa.

  • “Às seis em ponto”, Elvira Vigna

Esse foi o meu quarto livro da Elvira e só veio para confirmar que eu realmente sou apaixonada pelo jeito que essa mulher escreve. Gosto muitíssimo do ritmo, da forma como o texto parece uma conversa, das pausas. De entrar na cabeça das personagens e ficar tão perdida em reflexões e #questões quanto elas. Gosto demais da narrativa de Elvira, demais.

“Às seis em ponto” é narrado em primeira pessoa por Maria Teresa, uma mulher que constrói uma rede de mentiras (próprias e dos outros) a sua volta e, com isso, vai deixando o leitor com a pulga atrás da orelha – eu, pelo menos, fiquei me perguntando o tempo todo o que teria acontecido na fatídica sexta-feira que ela não ia subir para Miracema, mas subiu para Miracema. Enquanto conta a história de sua família, salpicando lembranças,  acompanhamos Maria Teresa em uma visita de carro para ver a mãe e a irmã depois da morte do pai. E também acompanhamos os títulos que ela inventa para a própria história em meio ao texto, o que foi uma das minhas coisas favoritas desse livro.

Contamos tudo de nós, nós, nessas salas. Dizem que nós, mulheres, somos assim, contamos. Dizemos que sim, é verdade, contamos tudo. Mas não é bem assim. Contamos histórias. Não é a mesma coisa. E são histórias específicas, pertencem não bem a nós mas a essas salas, saias, samambaias, chá ou vinho branco. Um homem presente e as histórias não aconteceriam.
Haroldo, eu não vou contar.

  • “Becky Bloom em Hollywood”, Sophie Kinsella

Comecei a ler a série de Becky Bloom lá em 2008 e achei que os livros já tinham sido encerrados. Por isso, fiquei surpresa quando descobri a existência “Becky Bloom em Hollywood” e mais ainda quando terminei e descobri que esse não é o último livro, ainda tem mais um. Gosto de acompanhar a história de Becky e ainda me divirto, é como um filme meio absurdo que eu acompanho me divertindo horrores mesmo querendo berrar “ah nãoooo” em diversos momentos. Aliás, é tanto assim que, quando cheguei ao final do livro, lido no kindle, e fui marcar a leitura no skoob, fiquei levemente chocada com o fato do livro ter mais de 500 páginas – li rápido e sem postergar. E lerei o próximo também, um dia.

  • “Quinze dias”, Vitor Martins

Para mim, um bom YA (bom pra caceta) é um YA que faça com que eu me sinta como eu me sentia quando lia Meg Cabot na adolescência. O que é bastante difícil, não só porque eu já não sou mais adolescente, mas também porque, para mim, Meg Cabot é rainha absoluta quando o assunto é YA. Mesmo assim, às vezes eu tenho esses sentimentos, o quentinho no coração que só um bom YA pode nos proporcionar – em 2016 foi com “Fangirl”; em 2017, com “Quinze dias”.

A história é a de Felipe, um menino que se vê na situação de ter que dividir o apartamento com um dos vizinhos durante quinze dias, nas férias escolares. Só que esse vizinho, Caio, foi seu primeiro crush (sentimento que ainda existe) e Felipe está cheio de inseguranças para levar conversas adiante, especialmente por conta de seu corpo e de seu peso. Não é um PUTA LIVRO, é um livro simples, mas fofo fofo fofo fofo e li tudo de uma vez só: comecei e só consegui largar para dormir quando de fato terminei, de tão gostosinha a leitura.

  • “Lituma nos Andes”, Mario Vargas Llosa

“Lituma nos Andes” foi a minha última leitura para o desafio luxuoso e acabei aos quarenta e cinco do segundo tempo. O motivo da demora é simples: não gostei. E já comecei a não gostar logo no começo, quando comecei a criar um ranço gigantesco pelos personagens e por algumas partes da história. No geral, devia ser interessante: é sobre três pessoas que desaparecem em um vilarejo em meio aos Andes e o cabo Lituma tem que lidar com a situação descobrindo o que aconteceu. O caso é um grande mistério e envolve tanto a situação política da região quanto crenças do povo local, que são, de fato, os elementos bacanas da história. As outras histórias e os personagens? Não gostei. Talvez eu ainda esteja olhando com um pé atrás com o Llosa depois de saber que ele é um chato, mas acho que não – o livro não é para mim mesmo.

  • “A morte e a morte de Quincas Berro d’Água”, Jorge Amado

Acabei esse livro no último dia de 2017, e acho que fechei o ano bem! Só tinha lido “Capitães da areia” de Jorge Amado (e amo) e já estava mais do que na hora de partir para a leitura de um segundo livro. Achei “Quincas Berro d’Água” um livro leve e divertido, apesar de falar de morte e de mágoas que as pessoas podem levar. Espero ler mais desse homem em 2018.