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Leituras de 2017 (maio e junho)

Em mais um bimestre a minha vida estava uma bagunça generalizada e eu não consegui me acertar bem com as leituras. Sigo sendo um caramujo literário, mas tenho fé que as coisas ainda podem melhorar nessa segunda metade do ano para que eu volte a alcançar o meu tão almejado ritmo.

  • “Alerta de risco”, Neil Gaiman

Minha primeira leitura desse bimestre foi lenta porque eu estava em uma péssima época de leitora. Porém, Gaiman é sempre uma boa leitura – ainda que seja em um livro de contos, essas coisas que sempre são repletas de altos e baixos. “Alerta de risco” tem ótimos contos e contos fraquinhos, mas é aquela vibe gaimaniana sombria, de fantasia e bastante creepy.

Meus destaques: Detalhes de Cassandra; O homem que esqueceu Ray Bradbury; E vou chorar, como Alexandre; Terminações femininas; Cão negro.

  • “Confissões do crematório”, Caitlin Doughty

Esse livro entrou como uma substituição para a minha lista original do desafio literário luxuoso. Como estou com o problema finada Cosac Naify (pois estamos todos), não ia rolar ler o “Vermelho amargo” tão cedo, então “Confissões do crematório” é meu novo livro para a categoria da capa vermelha.

É um livro de não-ficção sobre a história da Caitlin, uma moça que começa trabalhar em um crematório e tem uma enorme curiosidade & interesse sobre a indústria funerária e a cultura da morte, tradições mortuárias e afins. É uma leitura bem interessante, me fez pensar em diversas #questões e ainda tem o bônus de ser recheada de referências para quem se interessar em saber mais.

  • “Retalhos”, Craig Thompson

“Retalhos” foi minha escolha para a categoria de HQ do desafio luxuoso e posso dizer que acertei na escolha. Além dos desenhos serem muito belos, a história é bem bacana. O foco é a vida do próprio Craig Thompson, principalmente durante a infância e a adolescência.

Bem verdade que grande parte do livro trata da história de amor de Craig e Raina, mas o que mais gostei foi da forma como ele fala da relação com o irmão mais novo e com a religião/igreja. A história é pesada – e não só por motivos de assuntos pesados, mas também pelas coisas que são tão vida real que ai. E é visualmente belo, é claro.

  • “Aquela água toda”, João Anzanello Carrascoza

Li esse livro inteirinho no carro, enquanto ia de Rondon para Maringá. É uma coletânea de contos bastante fácil de ler e que não cansa. Gostei mais do “Caderno e um ausente”, mas essa também é uma leitura rápida e gostosinha, especialmente para aqueles momentos em que você não consegue ler mais nada.

  • “Todos nós adorávamos caubóis”, Carol Bensimon

Minha maior vontade em ler esse livro de Carol Bensimon estava diretamente relacionada ao título, que é sensacional. Então, senti um tico de desapontamento ao descobrir que o título pouco (para não dizer nada) tem a ver com a história. Mas é um sentimento superável.

“Todos nós adorávamos caubóis” é sobre Cora e Julia, duas amigas que há muito não se veem e se reencontram depois de anos para fazer uma roadtrip sem rumo pelo Rio Grande do Sul. Além de amigas, as duas têm um passado romântico que Cora está esperançosa de reconquistar na viagem. O livro é narrado em primeira pessoa pela Cora, que vai contando a viagem e relembrando acontecimentos passados – tanto da sua vida com Julia quanto com a família e de seu período morando na França.

É uma boa leitura e as questões de Cora são boas de acompanhar. E também fiquei com vontade de pegar um carro, chamar umas migas e partir imediatamente em uma roadtrip para conhecer mais o meu próprio estado.

  • “Olhos d’água”, Conceição Evaristo

Um livro de contos curtinho que te dá um soco na cara a cada parágrafo lido. Conceição Evaristo fala sobre raça, sobre as vivências de uma mulher negra, sobre pobreza, sobre classes. É um livro pesado e que bate lá no fundo; do tipo que você precisa fazer pausas entre um conto e outro para digerir os acontecimentos, pensar na própria vida, pensar nas vidas dos outros e lembrar que tudo isso pode não ser real no seu mundo particular, mas é infinitamente real em outros. É incrível e recomendo fortemente.

  • “História da menina perdida”, Elena Ferrante

O último livro da série Napolitana teve o mesmo efeito que os outros, pois a gente não se acostuma aos efeitos de drogas pesadas: fiquei transtornada, abaladíssima e me exaltei com frequência.

De todos os livros da série, acho que foi esse o que mais gostei. Foi bom chegar à fase que me foi prometida desde o início de “A amiga genial”, foi bom ver o amadurecimento dos personagens. Nesse livro a Ferrante também não economizou reviravoltas e salpicou CAOS a todo momento, com algumas apelações aqui e ali. Sigo odiando Nino Sarratore cada vez mais e com todas as minhas forças, pois este é o pior esquerdomacho já descrito na literatura. E Lenu ainda me dá nos nervos de um jeito que nossa – isso que eu acho que ela melhorou um bocado em um muitos aspectos ao longo da série.

Enfim. Drogas pesadas. Sentimentos exaltados. Berros.

(Ainda quero escrever sobre essa série inteira na modalidade textão, só preciso arrumar uma maneira de canalizar meus gritos e gestos exagerados com os braços.)

 

  • “Nada a dizer”, Elvira Vigna

Esse livro me despertou o ímpeto irrefreável de pesquisar a vida de Elvira Vigna. É meu terceiro livro da autora e, observando os pontos em comuns entre os três (os outros dois: “Por escrito” e “Como se estivéssemos em palimpsesto de putas”), senti a necessidade de descobrir o que é que poderia ser autobiográfico. Não descobri muita coisa e continuo com achismos apenas.

“Nada a dizer” é a história de uma mulher que descobre que Paulo, o marido, teve um caso. E é a história de como ela lida com isso, com o marido e com ela mesma. O que mais gosto de Elvira é o jeito que ela escreve: nesse livro, parece que a personagem está falando tudo em voz alta, quase consigo ouvir. E é cada tiro. Gostei bem.

No olhar dos outros, inscrito o que minha mãe chamaria de destino de mulher. Nasceu com boceta? Vai ser enganada. Traída, humilhada.
E o melhor é não ligar, minha filha. Levante o nariz e siga em frente.

(!!!)

  • “Como educar crianças feministas”, Chimamanda Ngozi Adichie

Esse livro é a adaptação de uma carta que Chimamanda escreveu para uma amiga que perguntou a ela como criar sua filha para ser uma feminista. É curtinho e rápido, e dá uma ideia geral do que é feminismo, de papéis e esteriótipos de gênero que a gente vive desde cedo. Sempre bom para pensar.

É isso e seguimos querendo mais.

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Leituras de 2017 (março e abril)

Acho que março e abril não são meses tão bons pras minhas leituras. Nesse bimestre fiquei um bocado travada e li bem menos do que poderia ter lido; talvez por ter tido muita coisa pra fazer, talvez porque minhas séries tão em dia. Não dá pra ter tudo. Enfim. Eis.

  • “O último voo do flamingo”, Mia Couto

Fiquei impressionada com “O último voo do flamingo”. Já esperava que ia gostar, mas nossa como aquece o coração o jeito que Mia Couto escreve! Ainda gostaria de ser capaz de adotar todos os neologismos do autor em frases normais da vida (menção honrosa: desqualquerficado e atrapalhaço) e jamais serei capaz de superar o modo como ele deixa até as coisas mais comuns fantásticas.

O livro é sobre uma vila em que homens estão explodindo misteriosamente, sem deixar rastro algum além do pênis e uma parte do traje – um sapato, um chapéu. Como esses homens são soldados da ONU, um funcionário vai investigar e acompanhamos a história dele de perto, narrada pelo homem designado como tradutor, que também conta muito da própria história.

Era uma das minhas escolhas pro desafio luxuoso na categoria de livros com um bicho no título e foi um grande acerto.

  • “A vida íntima de Laura”, Clarice Lispector

Não sou a maior entusiasta de Clarice Lispector e esse foi o terceiro livro que li da autora. Super curtinho, “A vida íntima de Laura” é uma história infantil sobre a galinha Laura. Li numa sentada e achei bem bacana, talvez seja o caso de dar mais uma chance para Clarice.

  • “Noites de alface”, Vanessa Barbara

Fiquei muito feliz de ter curtido “Noites de alface” e voltar a gostar de Vanessa Barbara após a frustração com o “Operação impensável”. “Noites de alface” é sensacional. (E minha escolha para a categoria de autor contemporâneo no desafio luxuoso.)

A história é a de Otto, um idoso que acabou de ficar viúvo de Ada e agora vive uma vida de gavetas vazias – assim que a autora define e o começo do livro já te rouba. O maior mérito, no entanto, é a construção dos personagens e o contato que a gente tem com a vida de cada pessoa da vizinhança. É tipo uma série de cidade pequena com seus vários personagens peculiares. E também tem um mistério rolando e reviravoltas.

Quando Ada morreu, as roupas ainda não tinham secado. O elástico das calças continuava úmido, as meias grossas, as camisetas e as toalhas de rosto penduradas do avesso, nada estava pronto. Havia um lenço de molho dentro do balde. Os potes de recicláveis lavados na pia, a cama desfeita, os pacotes de biscoitos abertos em cima do sofá – Ada tinha ido embora sem regar as plantas. As coisas da casa prendiam a respiração e esperavam. Desde então, a casa sem Ada é de gavetas vazias.

  • “O filho de mil homens”, Valter Hugo Mãe

“O filho de mil homens” é um livro muito bonito. Não tem como começar definindo de outra forma: é muito bonito. A história é a de Crisóstomo e Camilo, de Isaura, de Matilde, de Antonino e tantos outros personagens que vão se misturando e formando uma rede de amores e sofrimentos e família. O tanto de vezes que eu tive que fazer aquela pausa contemplativa não tá escrito.

No mais, estou bem triste que esse é o último Valter Hugo Mãe que possuo e que os futuros não combinarão com as edições da falecida Cosac que estão na estante atualmente.

  • “História de quem foge e de quem fica”, Elena Ferrante

Essa série me deixa DOENTE. Não consigo ter uma relação normal com esses livros. Começo a ler, não consigo mais parar, quero chegar até o final e tenho reações tão intensas que parece que todos os personagens são reais. Meus sentimentos ficam absolutamente fora de controle. Eu fiquei TRANSTORNADA com esse livro, por vezes sem fim desejei jogar o kindle na parede e materializar Elena Greco para poder berrar com ela, dar um chacoalhão e perguntar POR QUÊ?????

Sigo detestando todos os personagens, não suporto a Lenu e Nino Sarratore é a pior coisa. Mas, achei que “História de quem foge e de quem fica” foi o melhor da série até agora – especialmente porque curto as páginas de contexto histórico e político, junto com todo o cenário da vida napolitana que é, ao meu ver, o ponto alto dessa série.

No mais, uma novelona que eu nem sei explicar como é que pode ser tão viciante, mas que é viciante ao extremo. Socorro.

  • “O ano em que disse sim”, Shonda Rhimes

Esperava mais. Shonda é uma rainha poderosa com um império televisivo de séries queridas e idolatradas, então eu esperava uma porção de coisas sobre seu magnífico e transformador ano do sim. No final, achei o livro um tanto quanto repetitivo, meio tedioso e certamente muito menos interessante do que poderia ser. A impressão que dá é que ela fala, fala, fala, mas acaba não dizendo muita coisa. Neeeeeext.

  • “Trinta e poucos”, Antonio Prata

Gosto muito do Antonio Prata. Amei “Nu, de botas” de todo o coração, gostei muito de “Meio intelectual, meio de esquerda” e fui uma das incontáveis adolescentes que começavam a ler a revista Capricho pelo fim só para poder ler logo as crônicas de Antonio Prata.

Dito isso, “Trinta e poucos” não entra para o hall dos meus favoritos de Antonio. Como em todos os livros de crônicas ou contos do mundo, há os textos muito bons, os médiões e os chatos; mas, de forma geral, achei o livro um pouco neutrinho, sem grandes emoções.

  • “Como se estivéssemos em palimpsesto de putas”, Elvira Vigna

Primeiramente, o título desse livro já é uma obra. Segundamente, mais uma ótima experiência com Elvira Vigna. “Como se estivéssemos em palimpsesto de putas” é uma conversa que vai e volta e que você às vezes se pergunta se tá realmente conseguindo captar tudo que tá ali. Poderia demais virar um filme, com suas reviravoltas e personagens cinematograficamente vida real. Recomendo demais.


Dias mais produtivos virão.

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Leituras de 2017 (janeiro e fevereiro)

Alô, 2017! Vamos começar os trabalhos!

Li coisas muito bacanas nesse começo de ano e espero continuar tendo essa sorte até dezembro. Acho que poderia ter lido mais, especialmente se comparar com o sucesso que foi o meu primeiro bimestre de 2016 – mas, estou satisfeita. Assim como os primeiros meses do ano passado me renderam algumas das melhores leituras do ano (Chimamanda e Amanda Palmer <3), sinto que esses primeiros meses me fizeram a mesma coisa com o Valter Hugo Mãe e, especialmente, a Martha Batalha.

Não tenho exatamente uma meta para 2017, além de dar conta do desafio luxuoso. Só que sempre tenho o objetivo de ler 50 livros e espero conseguir que, neste ano, todos os livros lidos sejam, com o perdão da palavra, TOP.

Eis a listinha.

  • “Bossypants”, Tina Fey

Sempre tem aquela questão: Tina Fey ou Amy Poehler? Depois de ler “Bossypants” e já tendo lido “Yes Please”, posso responder sem dúvida alguma que Amy Poehler. Não é que eu não tenho gostado do livro da Tina Fey, mas também não achei nada de fantástico. Bacana ela discutir a questão de ser uma mulher conquistando espaço no mundo da comédia, tão frequentemente machista, e, claro, dei boas risadas em vários momentos pois Tina Fey. Mas. Sei lá. Acho que esperava mais.

  • “A amiga genial”, Elena Ferrante

Depois de terminar 2016 sendo a única pessoa deste mundo a ainda não ter lido Elena Ferrante, li Elena Ferrante. “A amiga genial” foi a indicação da Analu para nosso desafio literário e eu estava muitíssimo curiosa pois muitos comentários positivíssimos de todas as partes. Analu e Fernanda me alertaram que eu talvez não amasse e não me empolgasse tanto assim e foi exatamente o que aconteceu.

Não que o livro seja ruim – não é. Achei muito bem escrito, de uma forma que me envolveu e adorei o clima de bairro e vida em Nápoles. Porém. Achei a narração da Lenu, uma das personagens principais, insuportável em muitas vezes. Fiquei irritada em vários trechos. Além disso, fiquei bem incomodada com a relação de Lenu e Lila e sinto que isso foi ainda mais agravante pela narração em primeira pessoa.

Não achei tudo aquilo que as pessoas pareciam estar achando. De toda forma resolvi continuar com a série, especialmente porque todo mundo me disse que melhora no segundo. E fiquei curiosa para ler outros livros da Ferrante que não sejam da série. Vamos ver!

  • “Crônica de uma morte anunciada”, Gabriel García Márquez

É sempre um respiro ler um García Márquez pois o jeito que esse ser humano escreve chega ser um afago. Li bem rapidinho “Crônica de uma morte anunciada” e gostei bastante – principalmente da estrutura escolhida para contar a história da morte matada de Santiago Nasar, com depoimentos dos personagens e retrospectiva de fatos de vários ângulos. É impressionante como esse homem sabia contar uma história.

  • “Se vivêssemos em um lugar normal”, Juan Pablo Villalobos

Acho que esse era o livro do Villalobos que eu mais tinha curiosidade em ler e, estranhamente, foi meu último dele (dos existentes até o momento). A história é narrada por Oreo, um garoto de 14 anos que vive com sua família em uma pequena cidade mexicana em um morro que ele chama de Puta Que Pariu e toda a trama é sobre pobreza e política. Assim como os outros livros do autor, esse é pesado mas muito engraçado, pois o menino Juan Pablo é muito engraçado. É ótimo como as coisas começam em um ritmo e, conforme você passa de página, tudo vai ficando mais absurdo. Gostei bastante.

  • “A vida invisível de Eurídice Gusmão”, Martha Batalha

Estava louca para ler esse livro desde que uma professora da pós indicou e foi no início de fevereiro que eu e Analu resolvemos ler ao mesmo tempo e ir comentando aos bocados. Os comentários foram inúmeras declarações de amor, pois a vida invisível da Eurídice rendeu um livro fantástico.

Martha Batalha fala de machismo, de classe social, de dificuldades emocionais e é tanto tapa na cara que a gente leva que é de faltar o ar. Mas, ela escreve de um jeito leve e com muita coisa engraçada, então o ar às vezes a gente perde também por gargalhar demais. Eu amei a história, amei a construção dos personagens e o modo como a autora vai voltando no tempo para contar a história de famílias inteiras. É um livro curtinho e que contém um mundo inteiro, não dá vontade de parar de ler jamais. Foi meu primeiro cinco estrelas e favorito do ano.

Martha Batalha, você ganhou uma grande fã.

Porque Eurídice, vejam vocês, era uma mulher brilhante. Se lhe dessem cálculos elaborados ela projetaria pontes. Se lhe dessem um laboratório ela inventaria vacinas. Se lhe dessem páginas brancas ela escreveria clássicos. Mas o que lhe deram foram cuecas sujas, que Eurídice lavou muito rápido e muito bem, sentando-se em seguida no sofá, olhando as unhas e pensando no que deveria pensar.

  • “Operação impensável”, Vanessa Barbara

Por ter gostado tanto de “O livro amarelo do terminal”, tinha grandes expectativas para meu segundo livro da Vanessa Barbara. Fiquei frustrada. Achei “Operação impensável” muitíssimo mediano.

A história é a do casal Lia e Tito, com várias referências cinematográficas e históricas para contar como o relacionamento dos dois acabou. Desde o início fiquei me arrastando e meio de saco cheio das partes com comentários dos filmes que os personagens viam juntos – talvez eu tivesse curtido mais se fosse uma cinéfila. Mas, essa não foi a única coisa da dinâmica do livro de que não gostei: também não consegui me prender com as referências à Guerra Fria nem às notas esparsas, citações de livros e músicas salpicadas entre capítulos.

Enfim. Não é nem bom e nem ruim – e esse é o tipo de leitura que me deixa mais bodeada. Vida que segue. Ainda quero muito ler “Noites de alface”.

  • “Rua da padaria”, Bruna Beber

Já estava há muito sem ler poesia, nem sei mais se de fato sei ler poesia. Mas, gostei bem do estilo da Bruna Beber. Li numa sentada e achei tudo muito bacana, uma linguagem sem esforços e que vão num fôlego só. Bom pra revitalizar e partir para uma nova leitura depois da leve decepção passada.

  • “História do novo sobrenome”, Elena Ferrante

Realmente gostei mais do segundo livro da série. A história evolui bem e, especialmente mais para o final do livro, é difícil parar de ler para tocar outras atividades. Fiquei bem curiosa para ler o próximo, mas preciso dar aquela respirada antes de embarcar na leitura.

Uma coisa sobre Elena Ferrante é que é viciante. Mesmo que nessa série eu deteste todos os personagens. Todos. Não consigo gostar de ninguém. Lenu é insuportável. Lila é irritante. Nino Sarratore é, além de insuportavelmente chato, um dos maiores esquerdomachos da literatura. Às vezes eu fico tão irritada que tenho vontade de dar uns berros sozinha, murmuro uns xingamentos.

Mais uma vez fiquei com a sensação de que acho que gostaria mais do livro se não fosse narrado em primeira pessoa.

  • “a máquina de fazer espanhóis”, Valter Hugo Mãe

Esse livro me arrebatou, desde o começo. É sobre o senhor Silva, um português de 84 anos que perde a esposa, com quem foi casado por 48 anos, e é colocado num asilo. O livro é contado por ele em primeira pessoa, todo em letras minúsculas, sem pontuações que não os simples ponto e vírgula. É sobre velhice, sobre amor, sobre política, sobre amizade. Além de ser naturalmente forte, cheio de questões, rolou muito essa coisa de identificar uma porção de personagens e acontecimentos com vida real, pessoal, família. E aí, meu amigo. Aí eu fico abalada. Li praticamente o livro inteiro com o famigerado nó na garganta, os olhos queimando.

Também tinha gostado da minha outra experiência com Valter Hugo Mãe, mas nossa. Amei tanto que nem consegui me incomodar demais com o fato dessa edição da Cosac não ser justificada – e eu detesto textos não justificados. Outro bônus: os nomes dos capítulos. “o amor é uma estupidez intermitente mas universal”, “deus é uma cobiça que temos dentro de nós”, “somos um povo de caminhos salgados” e “precisava deste resto de solidão para aprender sobre este resto de companhia” são títulos tão bons quanto o livro em si.

Enfim. É um livro incrível, sensível, sentido. Amei com força.

com a morte, tudo o que respeita a quem morreu devia ser erradicado, para que aos vivos o fardo não se torne desumano. esse é o limite, a desumanidade de se perder quem não se pode perder. foi como se me dissessem, senhor silva, vamos levar-lhe os braços e as pernas, vamos levar-lhe os olhos e perderá a voz, talvez lhe deixemos os pulmões, mas teremos de levar o coração, e lamentamos muito, mas não lhe será permitida qualquer felicidade de agora em diante.

  • “A redoma de vidro”, Sylvia Plath

“A redoma de vidro” era uma das minhas opções para o desafio luxuoso na categoria de livros já lidos por Rory Gilmore. Resolvi pegar para ler muito influenciada pela leitura recente & comentários de Tay e fiquei bem satisfeita. Por conta da história – uma garota que tenta se matar – imaginava uma leitura tensa e pesada, mas o clima do livro não chega a ser sufocante como com “As virgens suicidas”. A autora escreve de um jeito que a leitura flui e avança com rapidez, você fica aflita por saber o que vai acontecer a seguir.

É uma ótima leitura.


Até breve e bons livros a todos.