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Leituras de 2017 (novembro e dezembro)

Acabou 2017. Nesse ano, li 52 livros no total, bati minha meta anual de chegar aos 50 livros e posso dizer com o alívio das boas escolhas que gostei da maior parte dos livros que li. Alguns foram escolhas do desafio luxuoso, alguns foram para o Leia Mulheres de Maringá, que começou a existir em agosto desse ano. E li mesmo mais mulheres: 33 dos livros lidos em 2017 foram escritos por mulheres. Também li bastante coisa brasileira, 23 dos livros foram de autores tupiniquins.

Eis a minha última leva do ano, banhada em desejos de um excelente 2018 literário.

  • “No seu pescoço”, Chimamanda Ngozi Adichie

Livro de contos é sempre aquela coisa, você gosta de uns contos e não gosta de outros, né? Nem sempre. Chimamanda conseguiu a proeza de reunir em um livro uma série de contos tão maravilhosos que não teve unzinho que achei ruim. Claro, houve gostei mais de um do que de outros, pois sempre, mas não desgostei de nenhum. E, claro, foi uma das minhas melhores leituras do ano pois não tem como não ser quando Chimamanda está envolvida.

Os contos de “No seu pescoço” discutem uma série de questões que envolvem cultura e preconceito, falando bastante sobre como os países da África são vistos nos Estados Unidos, essa relação de imigração, a vida em um outro país, a ideia do visto americano como um grande presente. São assuntos sobre os quais a autora já fala em “Americanah” (que amo do fundo do coração), e que nesse livro podemos ver de formas diferentes, acompanhando personagens e situações distintas.

Meus contos favoritos (praticamente todos, mas com destaque para): “Uma experiência privada”, “No seu pescoço”, “Jumping Monkey Hill”.

Lança mais livro, Chimamanda!

  • “Casa 12”, Leticia Constant

Comprei esse livro em um estande da feira literária da cidade sem saber absolutamente nada sobre ele, movida pelos motivos de: edição bonitinha e preço de cinco reais. Li rapidinho e achei bacana. Leticia Constant conta a história de sua infância, escrita como se contada por ela ainda como criança – o que deixa a linguagem e a perspectiva dos acontecimentos bem interessantes. É um livro fofinho.

  • “Heroínas negras brasileiras”, Jarid Arraes

“Heroínas negras brasileiras” foi o livro de novembro do Leia Mulheres de Maringá e li de uma só vez. Peguei o livro emprestado de minha amiga Fernanda e comecei e terminei a leitura no sábado, mesmo dia em que faríamos o encontro sobre o livro. Achei incrível. Nunca antes tinha lido um livro de cordel, mas gostei muitíssimo. Fora isso, as histórias de mulheres negras de diversos lugares do Brasil selecionadas pela Jarid batem forte e precisam ser lidas. Não bastasse tudo isso, a edição é belíssima. Leiam.

  • “Assim na terra como embaixo da terra”, Ana Paula Maia

Outra leitura feita para o Leia Mulheres da cidade e um livro que acredito que jamais leria não fosse esse impulso. Fico feliz de ter tido esse impulso, pois gostei bastante. “Assim na terra como embaixo da terra” não é como o que costumo ler, pois é um livro de ação, em que as coisas acontecem uma atrás da outra, sem aquele mergulho no pensamento dos personagens. Ana Paula Maia é roteirista e isso fica evidente durante o livro, porque a narrativa é cinematográfica, eu conseguia enxergar tudo conforme avançava a leitura.

“Assim na terra como embaixo da terra” fala sobre uma colônia penal, um lugar isolado com um histórico horroroso que foi construído para que nenhum preso jamais saísse de lá. Quando o livro começa, restam poucos dos homens condenados à colônia, a maioria mortos de uma forma inacreditável e violenta, que não vou comentar porque esse livro não merece spoilers. É um livro forte, que faz pensar sobre um bocado de assuntos e que não nos situa no tempo e no espaço, o que dá a sensação incômoda (e real) de que pode já estar acontecendo.

  • “1Q84”, Haruki Murakami

“1Q84” foi meu livro escolhido para a categoria de um autor oriental do desafio luxuoso. Nunca tinha lido Murakami antes e estava cheia de expectativas para esse livro, que é tão celebrado no mundo inteiro. Porém. Esperava mais. Quando finalmente engatei a leitura e comecei a simpatizar mais com a história, acabou. Sei que isso faz sentido, afinal ainda tem outros dois livros para ler, mas eu esperada uma história forte do início ao fim. É um bom livro, só esperava mais mesmo.

  • “Eu sou Malala”, Malala Yousafzai

“Eu sou Malala” também foi um dos escolhidos para o desafio luxuoso, na categoria de não-ficção. Na verdade, acho até um crime eu ter chegado em 2017 sem ter lido esse livro. E que bom que li! Gostei bastante da leitura, aprendi um monte de coisas com a quais não tinha tido contado e, no geral, fiquei bem feliz que esse livro foi escrito. E Malala, que pessoa.

  • “Às seis em ponto”, Elvira Vigna

Esse foi o meu quarto livro da Elvira e só veio para confirmar que eu realmente sou apaixonada pelo jeito que essa mulher escreve. Gosto muitíssimo do ritmo, da forma como o texto parece uma conversa, das pausas. De entrar na cabeça das personagens e ficar tão perdida em reflexões e #questões quanto elas. Gosto demais da narrativa de Elvira, demais.

“Às seis em ponto” é narrado em primeira pessoa por Maria Teresa, uma mulher que constrói uma rede de mentiras (próprias e dos outros) a sua volta e, com isso, vai deixando o leitor com a pulga atrás da orelha – eu, pelo menos, fiquei me perguntando o tempo todo o que teria acontecido na fatídica sexta-feira que ela não ia subir para Miracema, mas subiu para Miracema. Enquanto conta a história de sua família, salpicando lembranças,  acompanhamos Maria Teresa em uma visita de carro para ver a mãe e a irmã depois da morte do pai. E também acompanhamos os títulos que ela inventa para a própria história em meio ao texto, o que foi uma das minhas coisas favoritas desse livro.

Contamos tudo de nós, nós, nessas salas. Dizem que nós, mulheres, somos assim, contamos. Dizemos que sim, é verdade, contamos tudo. Mas não é bem assim. Contamos histórias. Não é a mesma coisa. E são histórias específicas, pertencem não bem a nós mas a essas salas, saias, samambaias, chá ou vinho branco. Um homem presente e as histórias não aconteceriam.
Haroldo, eu não vou contar.

  • “Becky Bloom em Hollywood”, Sophie Kinsella

Comecei a ler a série de Becky Bloom lá em 2008 e achei que os livros já tinham sido encerrados. Por isso, fiquei surpresa quando descobri a existência “Becky Bloom em Hollywood” e mais ainda quando terminei e descobri que esse não é o último livro, ainda tem mais um. Gosto de acompanhar a história de Becky e ainda me divirto, é como um filme meio absurdo que eu acompanho me divertindo horrores mesmo querendo berrar “ah nãoooo” em diversos momentos. Aliás, é tanto assim que, quando cheguei ao final do livro, lido no kindle, e fui marcar a leitura no skoob, fiquei levemente chocada com o fato do livro ter mais de 500 páginas – li rápido e sem postergar. E lerei o próximo também, um dia.

  • “Quinze dias”, Vitor Martins

Para mim, um bom YA (bom pra caceta) é um YA que faça com que eu me sinta como eu me sentia quando lia Meg Cabot na adolescência. O que é bastante difícil, não só porque eu já não sou mais adolescente, mas também porque, para mim, Meg Cabot é rainha absoluta quando o assunto é YA. Mesmo assim, às vezes eu tenho esses sentimentos, o quentinho no coração que só um bom YA pode nos proporcionar – em 2016 foi com “Fangirl”; em 2017, com “Quinze dias”.

A história é a de Felipe, um menino que se vê na situação de ter que dividir o apartamento com um dos vizinhos durante quinze dias, nas férias escolares. Só que esse vizinho, Caio, foi seu primeiro crush (sentimento que ainda existe) e Felipe está cheio de inseguranças para levar conversas adiante, especialmente por conta de seu corpo e de seu peso. Não é um PUTA LIVRO, é um livro simples, mas fofo fofo fofo fofo e li tudo de uma vez só: comecei e só consegui largar para dormir quando de fato terminei, de tão gostosinha a leitura.

  • “Lituma nos Andes”, Mario Vargas Llosa

“Lituma nos Andes” foi a minha última leitura para o desafio luxuoso e acabei aos quarenta e cinco do segundo tempo. O motivo da demora é simples: não gostei. E já comecei a não gostar logo no começo, quando comecei a criar um ranço gigantesco pelos personagens e por algumas partes da história. No geral, devia ser interessante: é sobre três pessoas que desaparecem em um vilarejo em meio aos Andes e o cabo Lituma tem que lidar com a situação descobrindo o que aconteceu. O caso é um grande mistério e envolve tanto a situação política da região quanto crenças do povo local, que são, de fato, os elementos bacanas da história. As outras histórias e os personagens? Não gostei. Talvez eu ainda esteja olhando com um pé atrás com o Llosa depois de saber que ele é um chato, mas acho que não – o livro não é para mim mesmo.

  • “A morte e a morte de Quincas Berro d’Água”, Jorge Amado

Acabei esse livro no último dia de 2017, e acho que fechei o ano bem! Só tinha lido “Capitães da areia” de Jorge Amado (e amo) e já estava mais do que na hora de partir para a leitura de um segundo livro. Achei “Quincas Berro d’Água” um livro leve e divertido, apesar de falar de morte e de mágoas que as pessoas podem levar. Espero ler mais desse homem em 2018.

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