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Leituras de 2017 (março e abril)

Acho que março e abril não são meses tão bons pras minhas leituras. Nesse bimestre fiquei um bocado travada e li bem menos do que poderia ter lido; talvez por ter tido muita coisa pra fazer, talvez porque minhas séries tão em dia. Não dá pra ter tudo. Enfim. Eis.

  • “O último voo do flamingo”, Mia Couto

Fiquei impressionada com “O último voo do flamingo”. Já esperava que ia gostar, mas nossa como aquece o coração o jeito que Mia Couto escreve! Ainda gostaria de ser capaz de adotar todos os neologismos do autor em frases normais da vida (menção honrosa: desqualquerficado e atrapalhaço) e jamais serei capaz de superar o modo como ele deixa até as coisas mais comuns fantásticas.

O livro é sobre uma vila em que homens estão explodindo misteriosamente, sem deixar rastro algum além do pênis e uma parte do traje – um sapato, um chapéu. Como esses homens são soldados da ONU, um funcionário vai investigar e acompanhamos a história dele de perto, narrada pelo homem designado como tradutor, que também conta muito da própria história.

Era uma das minhas escolhas pro desafio luxuoso na categoria de livros com um bicho no título e foi um grande acerto.

  • “A vida íntima de Laura”, Clarice Lispector

Não sou a maior entusiasta de Clarice Lispector e esse foi o terceiro livro que li da autora. Super curtinho, “A vida íntima de Laura” é uma história infantil sobre a galinha Laura. Li numa sentada e achei bem bacana, talvez seja o caso de dar mais uma chance para Clarice.

  • “Noites de alface”, Vanessa Barbara

Fiquei muito feliz de ter curtido “Noites de alface” e voltar a gostar de Vanessa Barbara após a frustração com o “Operação impensável”. “Noites de alface” é sensacional. (E minha escolha para a categoria de autor contemporâneo no desafio luxuoso.)

A história é a de Otto, um idoso que acabou de ficar viúvo de Ada e agora vive uma vida de gavetas vazias – assim que a autora define e o começo do livro já te rouba. O maior mérito, no entanto, é a construção dos personagens e o contato que a gente tem com a vida de cada pessoa da vizinhança. É tipo uma série de cidade pequena com seus vários personagens peculiares. E também tem um mistério rolando e reviravoltas.

Quando Ada morreu, as roupas ainda não tinham secado. O elástico das calças continuava úmido, as meias grossas, as camisetas e as toalhas de rosto penduradas do avesso, nada estava pronto. Havia um lenço de molho dentro do balde. Os potes de recicláveis lavados na pia, a cama desfeita, os pacotes de biscoitos abertos em cima do sofá – Ada tinha ido embora sem regar as plantas. As coisas da casa prendiam a respiração e esperavam. Desde então, a casa sem Ada é de gavetas vazias.

  • “O filho de mil homens”, Valter Hugo Mãe

“O filho de mil homens” é um livro muito bonito. Não tem como começar definindo de outra forma: é muito bonito. A história é a de Crisóstomo e Camilo, de Isaura, de Matilde, de Antonino e tantos outros personagens que vão se misturando e formando uma rede de amores e sofrimentos e família. O tanto de vezes que eu tive que fazer aquela pausa contemplativa não tá escrito.

No mais, estou bem triste que esse é o último Valter Hugo Mãe que possuo e que os futuros não combinarão com as edições da falecida Cosac que estão na estante atualmente.

  • “História de quem foge e de quem fica”, Elena Ferrante

Essa série me deixa DOENTE. Não consigo ter uma relação normal com esses livros. Começo a ler, não consigo mais parar, quero chegar até o final e tenho reações tão intensas que parece que todos os personagens são reais. Meus sentimentos ficam absolutamente fora de controle. Eu fiquei TRANSTORNADA com esse livro, por vezes sem fim desejei jogar o kindle na parede e materializar Elena Greco para poder berrar com ela, dar um chacoalhão e perguntar POR QUÊ?????

Sigo detestando todos os personagens, não suporto a Lenu e Nino Sarratore é a pior coisa. Mas, achei que “História de quem foge e de quem fica” foi o melhor da série até agora – especialmente porque curto as páginas de contexto histórico e político, junto com todo o cenário da vida napolitana que é, ao meu ver, o ponto alto dessa série.

No mais, uma novelona que eu nem sei explicar como é que pode ser tão viciante, mas que é viciante ao extremo. Socorro.

  • “O ano em que disse sim”, Shonda Rhimes

Esperava mais. Shonda é uma rainha poderosa com um império televisivo de séries queridas e idolatradas, então eu esperava uma porção de coisas sobre seu magnífico e transformador ano do sim. No final, achei o livro um tanto quanto repetitivo, meio tedioso e certamente muito menos interessante do que poderia ser. A impressão que dá é que ela fala, fala, fala, mas acaba não dizendo muita coisa. Neeeeeext.

  • “Trinta e poucos”, Antonio Prata

Gosto muito do Antonio Prata. Amei “Nu, de botas” de todo o coração, gostei muito de “Meio intelectual, meio de esquerda” e fui uma das incontáveis adolescentes que começavam a ler a revista Capricho pelo fim só para poder ler logo as crônicas de Antonio Prata.

Dito isso, “Trinta e poucos” não entra para o hall dos meus favoritos de Antonio. Como em todos os livros de crônicas ou contos do mundo, há os textos muito bons, os médiões e os chatos; mas, de forma geral, achei o livro um pouco neutrinho, sem grandes emoções.

  • “Como se estivéssemos em palimpsesto de putas”, Elvira Vigna

Primeiramente, o título desse livro já é uma obra. Segundamente, mais uma ótima experiência com Elvira Vigna. “Como se estivéssemos em palimpsesto de putas” é uma conversa que vai e volta e que você às vezes se pergunta se tá realmente conseguindo captar tudo que tá ali. Poderia demais virar um filme, com suas reviravoltas e personagens cinematograficamente vida real. Recomendo demais.


Dias mais produtivos virão.

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