listinhas · livros

Leituras de 2017 (janeiro e fevereiro)

Alô, 2017! Vamos começar os trabalhos!

Li coisas muito bacanas nesse começo de ano e espero continuar tendo essa sorte até dezembro. Acho que poderia ter lido mais, especialmente se comparar com o sucesso que foi o meu primeiro bimestre de 2016 – mas, estou satisfeita. Assim como os primeiros meses do ano passado me renderam algumas das melhores leituras do ano (Chimamanda e Amanda Palmer <3), sinto que esses primeiros meses me fizeram a mesma coisa com o Valter Hugo Mãe e, especialmente, a Martha Batalha.

Não tenho exatamente uma meta para 2017, além de dar conta do desafio luxuoso. Só que sempre tenho o objetivo de ler 50 livros e espero conseguir que, neste ano, todos os livros lidos sejam, com o perdão da palavra, TOP.

Eis a listinha.

  • “Bossypants”, Tina Fey

Sempre tem aquela questão: Tina Fey ou Amy Poehler? Depois de ler “Bossypants” e já tendo lido “Yes Please”, posso responder sem dúvida alguma que Amy Poehler. Não é que eu não tenho gostado do livro da Tina Fey, mas também não achei nada de fantástico. Bacana ela discutir a questão de ser uma mulher conquistando espaço no mundo da comédia, tão frequentemente machista, e, claro, dei boas risadas em vários momentos pois Tina Fey. Mas. Sei lá. Acho que esperava mais.

  • “A amiga genial”, Elena Ferrante

Depois de terminar 2016 sendo a única pessoa deste mundo a ainda não ter lido Elena Ferrante, li Elena Ferrante. “A amiga genial” foi a indicação da Analu para nosso desafio literário e eu estava muitíssimo curiosa pois muitos comentários positivíssimos de todas as partes. Analu e Fernanda me alertaram que eu talvez não amasse e não me empolgasse tanto assim e foi exatamente o que aconteceu.

Não que o livro seja ruim – não é. Achei muito bem escrito, de uma forma que me envolveu e adorei o clima de bairro e vida em Nápoles. Porém. Achei a narração da Lenu, uma das personagens principais, insuportável em muitas vezes. Fiquei irritada em vários trechos. Além disso, fiquei bem incomodada com a relação de Lenu e Lila e sinto que isso foi ainda mais agravante pela narração em primeira pessoa.

Não achei tudo aquilo que as pessoas pareciam estar achando. De toda forma resolvi continuar com a série, especialmente porque todo mundo me disse que melhora no segundo. E fiquei curiosa para ler outros livros da Ferrante que não sejam da série. Vamos ver!

  • “Crônica de uma morte anunciada”, Gabriel García Márquez

É sempre um respiro ler um García Márquez pois o jeito que esse ser humano escreve chega ser um afago. Li bem rapidinho “Crônica de uma morte anunciada” e gostei bastante – principalmente da estrutura escolhida para contar a história da morte matada de Santiago Nasar, com depoimentos dos personagens e retrospectiva de fatos de vários ângulos. É impressionante como esse homem sabia contar uma história.

  • “Se vivêssemos em um lugar normal”, Juan Pablo Villalobos

Acho que esse era o livro do Villalobos que eu mais tinha curiosidade em ler e, estranhamente, foi meu último dele (dos existentes até o momento). A história é narrada por Oreo, um garoto de 14 anos que vive com sua família em uma pequena cidade mexicana em um morro que ele chama de Puta Que Pariu e toda a trama é sobre pobreza e política. Assim como os outros livros do autor, esse é pesado mas muito engraçado, pois o menino Juan Pablo é muito engraçado. É ótimo como as coisas começam em um ritmo e, conforme você passa de página, tudo vai ficando mais absurdo. Gostei bastante.

  • “A vida invisível de Eurídice Gusmão”, Martha Batalha

Estava louca para ler esse livro desde que uma professora da pós indicou e foi no início de fevereiro que eu e Analu resolvemos ler ao mesmo tempo e ir comentando aos bocados. Os comentários foram inúmeras declarações de amor, pois a vida invisível da Eurídice rendeu um livro fantástico.

Martha Batalha fala de machismo, de classe social, de dificuldades emocionais e é tanto tapa na cara que a gente leva que é de faltar o ar. Mas, ela escreve de um jeito leve e com muita coisa engraçada, então o ar às vezes a gente perde também por gargalhar demais. Eu amei a história, amei a construção dos personagens e o modo como a autora vai voltando no tempo para contar a história de famílias inteiras. É um livro curtinho e que contém um mundo inteiro, não dá vontade de parar de ler jamais. Foi meu primeiro cinco estrelas e favorito do ano.

Martha Batalha, você ganhou uma grande fã.

Porque Eurídice, vejam vocês, era uma mulher brilhante. Se lhe dessem cálculos elaborados ela projetaria pontes. Se lhe dessem um laboratório ela inventaria vacinas. Se lhe dessem páginas brancas ela escreveria clássicos. Mas o que lhe deram foram cuecas sujas, que Eurídice lavou muito rápido e muito bem, sentando-se em seguida no sofá, olhando as unhas e pensando no que deveria pensar.

  • “Operação impensável”, Vanessa Barbara

Por ter gostado tanto de “O livro amarelo do terminal”, tinha grandes expectativas para meu segundo livro da Vanessa Barbara. Fiquei frustrada. Achei “Operação impensável” muitíssimo mediano.

A história é a do casal Lia e Tito, com várias referências cinematográficas e históricas para contar como o relacionamento dos dois acabou. Desde o início fiquei me arrastando e meio de saco cheio das partes com comentários dos filmes que os personagens viam juntos – talvez eu tivesse curtido mais se fosse uma cinéfila. Mas, essa não foi a única coisa da dinâmica do livro de que não gostei: também não consegui me prender com as referências à Guerra Fria nem às notas esparsas, citações de livros e músicas salpicadas entre capítulos.

Enfim. Não é nem bom e nem ruim – e esse é o tipo de leitura que me deixa mais bodeada. Vida que segue. Ainda quero muito ler “Noites de alface”.

  • “Rua da padaria”, Bruna Beber

Já estava há muito sem ler poesia, nem sei mais se de fato sei ler poesia. Mas, gostei bem do estilo da Bruna Beber. Li numa sentada e achei tudo muito bacana, uma linguagem sem esforços e que vão num fôlego só. Bom pra revitalizar e partir para uma nova leitura depois da leve decepção passada.

  • “História do novo sobrenome”, Elena Ferrante

Realmente gostei mais do segundo livro da série. A história evolui bem e, especialmente mais para o final do livro, é difícil parar de ler para tocar outras atividades. Fiquei bem curiosa para ler o próximo, mas preciso dar aquela respirada antes de embarcar na leitura.

Uma coisa sobre Elena Ferrante é que é viciante. Mesmo que nessa série eu deteste todos os personagens. Todos. Não consigo gostar de ninguém. Lenu é insuportável. Lila é irritante. Nino Sarratore é, além de insuportavelmente chato, um dos maiores esquerdomachos da literatura. Às vezes eu fico tão irritada que tenho vontade de dar uns berros sozinha, murmuro uns xingamentos.

Mais uma vez fiquei com a sensação de que acho que gostaria mais do livro se não fosse narrado em primeira pessoa.

  • “a máquina de fazer espanhóis”, Valter Hugo Mãe

Esse livro me arrebatou, desde o começo. É sobre o senhor Silva, um português de 84 anos que perde a esposa, com quem foi casado por 48 anos, e é colocado num asilo. O livro é contado por ele em primeira pessoa, todo em letras minúsculas, sem pontuações que não os simples ponto e vírgula. É sobre velhice, sobre amor, sobre política, sobre amizade. Além de ser naturalmente forte, cheio de questões, rolou muito essa coisa de identificar uma porção de personagens e acontecimentos com vida real, pessoal, família. E aí, meu amigo. Aí eu fico abalada. Li praticamente o livro inteiro com o famigerado nó na garganta, os olhos queimando.

Também tinha gostado da minha outra experiência com Valter Hugo Mãe, mas nossa. Amei tanto que nem consegui me incomodar demais com o fato dessa edição da Cosac não ser justificada – e eu detesto textos não justificados. Outro bônus: os nomes dos capítulos. “o amor é uma estupidez intermitente mas universal”, “deus é uma cobiça que temos dentro de nós”, “somos um povo de caminhos salgados” e “precisava deste resto de solidão para aprender sobre este resto de companhia” são títulos tão bons quanto o livro em si.

Enfim. É um livro incrível, sensível, sentido. Amei com força.

com a morte, tudo o que respeita a quem morreu devia ser erradicado, para que aos vivos o fardo não se torne desumano. esse é o limite, a desumanidade de se perder quem não se pode perder. foi como se me dissessem, senhor silva, vamos levar-lhe os braços e as pernas, vamos levar-lhe os olhos e perderá a voz, talvez lhe deixemos os pulmões, mas teremos de levar o coração, e lamentamos muito, mas não lhe será permitida qualquer felicidade de agora em diante.

  • “A redoma de vidro”, Sylvia Plath

“A redoma de vidro” era uma das minhas opções para o desafio luxuoso na categoria de livros já lidos por Rory Gilmore. Resolvi pegar para ler muito influenciada pela leitura recente & comentários de Tay e fiquei bem satisfeita. Por conta da história – uma garota que tenta se matar – imaginava uma leitura tensa e pesada, mas o clima do livro não chega a ser sufocante como com “As virgens suicidas”. A autora escreve de um jeito que a leitura flui e avança com rapidez, você fica aflita por saber o que vai acontecer a seguir.

É uma ótima leitura.


Até breve e bons livros a todos.

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