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Leituras de 2016 (setembro e outubro)

Todo ano a minha meta é ler pelo menos 50 livros. E, nos últimos anos, eu vinha falhando miseravelmente. Agora, consegui chegar lá! Nesse último bimestre consegui chegar aos 50 e agora preciso apenas correr atrás do sonho de terminar o ano tendo lido os meus livros mais antigos que eu fico renegando na estante por falta de autocontrole e vergonha na cara.

Enfim. Eis as leituras de setembro e outubro:

  • “O meu pé de laranja lima”, José Mauro de Vasconcelos

Resolvi que não teria problema terminar de ler esse livro no ônibus, ainda que Analu tivesse me alertado sobre a possibilidade de lágrimas. Houveram muitas. “O meu pé de laranja lima” é um livro supostamente infantil, porém tristíssimo. A história da criança que vivia a pobreza, apanhava em casa e não conseguiu ser feliz para sempre com uma fonte de carinho é um baque. Porém, ótimo. E o tom da narrativa, contada por uma criança, é um acerto.

  • “Te vendo um cachorro”, Juan Pablo Villalobos

Passei “Te vendo um cachorro” na frente do livro da Elvira Vigna desta lista porque ia ver Juan Pablo Villalobos em uma mesa da Festa Literária de Maringá e queria terminar. Não terminei rápido o bastante, mas terminei com uma assinatura muito fofa do autor na minha página.

Ainda que eu não fosse fangirl do Villalobos, como agora que o vi sou (pois ele é 10), teria gostado do livro. A história acompanha o idoso Teo, que mora em um prédio cheio de baratas e outros idosos e conta tanto sua vida atual, nas picuinhas com os vizinhos, quanto seu passado como taqueiro e aspirante a artista. Os personagens são muito ótimos, várias passagens são muito engraçadas e as citações recorrentes a Adorno ainda dão um toque final para que eu curtisse ainda mais o clima.

  • “Felizmente, o leite”, Neil Gaiman

Li esse livro rapidinho em uma sentada só e me diverti. “Felizmente, o leite” é um livro infantil que eu quero um dia dar de presente para priminhos novinhos. É uma história divertida com dinossauros, viagem no tempo, vampiro, pônei, alienígenas, piratas, erupção vulcânica, balões – tudo contado por um pai que vai ao mercado comprar leite e resolve narrar aventuras aos filhos quando volta para casa.

  • Por escrito”, Elvira Vigna

Meu primeiro contato com Elvira Vigna foi bem sucedido. Amei a forma como ela escreve, o ritmo desse livro é com certeza seu ponto forte. A edição é da Cia das Letras e a capa é bem bacana, só não acho que tenha muito a ver com a história; até o clima é diferente.

O livro é escrito em primeira pessoa por uma mulher que viaja muito a trabalho, tem uma história familiar complicada e escreve para seu parceiro. Ao mesmo tempo que ela está falando com ele, ela acaba divagando em pensamentos próprios e, às vezes, eu também acabava me perdendo em outros pensamentos e perdendo um pouco o fio da meada. Talvez por isso, por não ter ficado suficientemente presa na história o tempo todo, eu tenha demorado tanto para terminar.

Acho que Valderez, a personagem principal de “Por escrito”, se daria bem com a protagonista de “Onde cantam os pássaros”. Talvez elas gostassem de conversar ou de ficar em silêncio juntas.

  • “Histórias de cronópios e de famas”, Julio Cortázar

Meu contato anterior com Cortázar tinha sido em um conto sensacional lido por indicação de um professor no primeiro ano da graduação: “Queremos tanto a Glenda”. Resolvi meio que de repente ler esse livro de contos e foi uma decisão ótima. Julio Cortázar é muito engraçado, gostei demais e achei uma leitura bastante divertida e fantástica. Quero ler mais.

As esperanças, sedentárias, deixam-se viajar pelas coisas e pelos homens, e são como as estátuas, que é preciso vê-las, porque elas não vêm até nós.

  • “13 shocking secrets that you’ll wish you never knew about Lemony Snicket”, Lemony Snicket

Isso na real nem é um LIVRO, mas vocês já sabem e eu confirmo: sou trapaceira e incluo na lista. É um booklet que faz parte de Desventuras em Série e foi liberado pela Harper Collins antes do lançamento do último livro da coleção. Li por motivos de fortes emoções após ver o trailer da série da Netflix e saudades intensas da minha série literária favorita na vida. Curtinho mas amor é amor. Dá para ler online e rapidinho no site oficial do Lemony Snicket.

  • “Granta em português #9: Os melhores jovens escritores brasileiros”

Livro de textos diversos é sempre aquela coisa: uns textos ótimos, outros nem tanto. (E um especialmente bem pedante e chato.) Essa edição de Granta não foi diferente. Teve  coisas que eu já tinha lido: um trecho de “Barba ensopada de sangue” que deu pra matar a saudade de Daniel Galera, um do Antonio Prata que, salvo engano, estava em “Nu, de Botas”. Teve Luisa Geisler que gostei, Vanessa Barbara e Carol Bensimon que preciso urgentemente ler mais. No geral, vale a pena para descobrir gente que você quer conhecer mais ou que vai preferir passar longe no futuro.

  • “Jumanji”, Chris Van Allsburg

Sim, é o mesmo Jumanji, essa é a mesma história do sensacional clássico da Sessão da Tarde. No livro, que é bem curtinho, as coisas são bem mais rápidas e o jogo não é tão profundamente explorado quanto eu imaginei que seria. O que, claro, é compreensível, visto que é um livro infantil e não foi feito para ser um calhamaço. Enfim. O filme é mais bacana, mas a leitura é válida.

O livro em si é obviamente muito belo, ilustrações incríveis, aquilo que a gente espera de um Cosac Naify. (e paguei apenas dez reais, pode mandar mais promoções de cosaquinhos pfvr)

  • “Pó de parede”, Carol Bensimon

Disse que queria ler mais Carol Bensimon, então comecei a ler mais Carol Bensimon. “Pó de parede” é um livro curtinho com três histórias. Achei bem bom – sinal de que minhas impressões com o “Granta #9” foram certeiras. Gostei bastante do jeito que Carol escreve. As histórias têm climas bem diferentes, o que achei legal porque parece que li várias coisas compridíssimas, mas na real li bem rapidinho.

  • “A Bela e a Adormecida”, Neil Gaiman

Um livro rapidinho do Neil Gaiman com uma história que empresta universos de Branca de Neve e A Bela Adormecida. Tipo isso, só que nada a ver. Em “A Bela e a Adormecida”, tem uma moça dormindo por anos e anos em uma torre, esperando ser despertada. Tem anões que buscam uma rainha muito branca e com cabelos muito escuros para ir até a torre e acabar com a maldição do sono. Tem uma velha que fica nessa torre, a única em todo o reino que não dorme. Não tem nenhum príncipe encantado.

Como sempre, Gaiman muito bom em criar um mundo novo, personagens meio sombrios. Fiquei com muita vontade de comprar para alguma criança!!!

  • “A máquina”, Adriana Falcão

Adriana Falcão, que mulher. “A máquina” é um livro curtinho porém tão sensacional que eu gostaria de viver nele. A narrativa da Adriana Falcão nesse livro é mais no clima do livro que é um amor da minha vida, “Luna Clara & Apolo Onze”, o que quer dizer que é maravilhosa e não dá vontade de parar nunca. É claro que amei.

A história é a de Antônio e Karina (SIM!) em uma cidadezinha minúscula chamada Nordestina da qual as pessoas estão sempre indo embora. E de um amor bonito que faz de tudo para continuar existindo sempre.

Eu vou morrer de amor, no meio do sertão, nos braços da seca, com a quentura fervilhando as ideias, enquanto tiver ideia, a vida desistindo de viver, indo embora, a vista turvando, o juízo evaporando, até o finalzinho, aquela hora em que a pessoa pensa com ela mesma, e agora, hein? Então não pensa mais nada e acabou-se.

  • “Farenheit 451”, Ray Bradbury

Meu Desafio Livrada está 01 vergonha, mas esse é meu escolhido para a categoria de autor indicado por um autor de quem você gosta. Quem gosta de Ray Bradbury é o deuso Neil Gaiman, que já escreveu sobre ele e que tem essa história maravilhosa lida com essa voz que eu poderia escutar por horas.

Infelizmente, as opiniões de Gaiman (e seus textos sobre) são melhores que o Ray Bradbury. Não gostei de “Farenheit 451”. Não gostei da história. Não gostei da narrativa. Minha edição (a de bolso da Globo Livros) é bem sem graça. Não gostei, ponto. Achei as coisas meio forçadas, os diálogos bem ruins e a coisa toda muito tediosa.

“Farenheit 451” é uma distopia em que todo o mundo vive alienado com coisas divertidas, que não exigem pensamentos e reflexões, e ter livros é um crime. Os bombeiros existem para incendiar casas de pessoas que são denunciadas por terem livros. E aí vem a história de Montag, esse bombeiro que de repente resolve pensar e fazer alguma coisa sobre isso. Até podia ser legal, mas não é. Não tem como não comparar e eu vou dizer que: se quiser ler uma distopia nessa vibe, fique com “1984” ou “Admirável mundo novo”.

Os últimos livros de 2016 estão chegando!!! Esperemos que o ano termine em glória.

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