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Leituras de 2016 (julho e agosto)

Mais um bimestre de leituras que eu podia ter lido mais, mas é isso aí. Infelizmente eu sigo sendo uma pessoa lerda, tenho lido a passos de tartaruga e engolindo uma imensidão de tempo entre um título e outro. Se continuar assim, o fim do ano vai chegar com as minhas metas & desejos tão falidos quanto a minha conta bancária no 31º dia do mês.

Enfim. Li o seguinte:

  • “Onde cantam os pássaros”, Evie Wyld

Qualquer detalhe que eu der sobre a história desse livro vai ser um spoiler, então vou ficar no básico. Achava que seria uma história de terror, mas é mais como um suspense meio aterrorizante – e aterrorizante não tanto no sentido de mistérios sobrenaturais e mais no de que a cota de seres humanos horríveis é deveras assustadora porque a gente sabe que eles existem. A narrativa é contada em primeira pessoa por uma moça chamada Jake e ela vai intercalando entre presente e passado, num ritmo que foi meio confuso no começo mas que depois peguei o jeito.

Porém, sinto que ou eu perdi umas coisas no meio do caminho ou realmente umas pontas da história ficaram soltas e no final eu tava meio que assim: ?????¿¿¿???? Se você não se abalar tanto quanto eu e conseguir ler sem ficar tensa demais para continuar, dá pra terminar o livro rapidinho. Eu demorei um tanto.

Nunca tinha lido nada da Darkside antes e a editora está de parabéns pelo projeto gráfico e capa belíssimos. A revisão podia ter sido um pouco mais apurada, achei uns escorregões no texto que destoam da beleza do conjunto, mas nada que torne a leitura insuportável.

  • “Bidu: Caminhos”, Luís Felipe Garrocho e Eduardo Damasceno

Esse é um quadrinho fofíssimo sobre como o Bidu conheceu o Franjinha. A história é uma graça, o visual é bem bonito e ainda tem uma breve participação especial da Mônica. (E a expressão do Bidu se preocupando com problemas é gigantescamente vida real – talvez não exatamente para cães, mas para humanos é garantido.)

  • “Contos de outros cantos”, Ottavio Lourenço

Primeiro livro que leio da Encrenca (esse nome é sensacional demais) e achei bem bacana a edição. Editora independente (e paranaense) & autor paranaense, é um bom bônus duplo para o desafio Livrada do ano – que eu estou meio que sendo horrível e não lendo absolutamente nada da minha lista por séculos, mas a esperança ainda tá presente). O livro é uma coletânea de contos inspirados na obra do Hitchcock e, talvez por não ser uma grande conhecedora dos trabalhos do rapaz, sinto que não pude aproveitar 100% o rolê.

  • “Terra sonâmbula”, Mia Couto

“Terra sonâmbula” é um romance de realismo mágico cheio de lendas, crenças, bichos, guerra e espíritos. A narrativa intercala a história de Muidinga e Tuahir com as histórias de Kindzu, escritas em cadernos que Muidinga encontra num ônibus onde se abrigam. É quase um novelão cheio de plots e coincidências, mas que não parece um clichê em momento algum por mérito absoluto de como o autor conta a história. Mia Couto é incrível e escreve bonito que só. E não bastasse o tanto de neologismos sensacionais que eu gostaria que fossem palavras usadas todos os dias, Mia Couto ainda fala sofrência. Rei.

Li a edição da Companhia de Bolso e fiquei um bocadinho incomodada com o lance de botarem em itálico todas as falas de personagens. Como não sei a quem culpar, relevo e recomendo.

  • “Viver para contar”, Gabriel García Márquez

Cheguei a falar sobre “Viver para contar” na newsletter e em um post, devido ao fato de estar bastante impressionada. A autobiografia do García Márquez apenas confirma o quão incrível é esse ser humano – e sua vida já era meio fantástica antes mesmo dele publicar livros e ganhar um Nobel. Claro, nem sempre sua vida foi fácil e ele e a família (com seus dez irmãos) passaram por apuros de várias formas, mas os acontecimentos e detalhes me deixaram espantadíssima pois é tanta coisa! Imaginem que ele pôde se inspirar em várias coisas da história e costume da família para escrever “Cem anos de solidão” e “O amor nos tempos do cólera”, por exemplo. Imaginem que aquela coisa de arrumar uma rede de telégrafos para enviar cartas para o amor proibido que viajava por várias cidades é real e aconteceu mesmo com os pais dele. Apenas fantástico.

A escrita eu nem preciso comentar pois estamos todos muito bem familiarizados com o padrão de qualidade Gabriel García Márquez de texto. Junte isso ao fato de que tudo que ele tem para contar é interessantíssimo e temos um livro 10/10.

  • “#MeuAmigoScreto: Feminismo além das redes”, Coletivo Não Me Kahlo

O que mais me choca nesse livro é a rapidez com que ele saiu. A #MeuAmigoSecreto circulou nas redes no final de 2015, o livro foi publicado pela Edições de Janeiro já no primeiro semestre de 2016. Que loucura. E mais louco ainda é que o livro é bem feito, os textos são bem bons, o resultado final é bem bacana. Vocês são máquinas ou apenas humanos com cargas surreais de eficiência?

Enfim. Nem preciso dizer que o tema é mais do que relevante. A proposta do livro é discutir várias questões do feminismo com base nos depoimentos que circularam na época da #MeuAmigoSecreto. Vale a leitura.

  • “O sol é para todos”, Harper Lee

Esperava mais. Eu tinha muita vontade de ler esse livro e, quando finalmente cheguei nele, levei semanas em uma leitura arrastada. Achei a história interessante e incrível, especialmente considerando a época da publicação. Porém, a narrativa não me pegou. Em questão de uma história pesada contada por uma criança, acho que a narrativa de “Festa no covil” foi mais bem sucedida que essa, por exemplo. Talvez seja a tradução, sei lá. Só sei que esperava mais.

  • “As aventuras de Pinóquio”, Carlo Collodi

Esse livro é uma preciosidade. Li a edição especial da Cosac Naify e ela é impecável. Demais. Linda mesmo.

Fora isso, também gostei da história. O que eu mais gosto de ler as versões completas de livros infantis é a total surpresa diante das coisas. Pinóquio é muito isso. Fiquei impressionada com trechos em que o Pinóquio é apenas um péssimo exemplo (como quando ele arranca a pata de um gato COM A BOCA) e mais ainda com o tanto que eles tentam incutir na cabeça das crianças que para ser uma pessoa de bem é preciso trabalhar, que quem não trabalha é vagabundo. Mas, o que eu mais gostei foram os títulos dos capítulos: pequenos textos que resumem tudo o que vai acontecer no capítulo todo. É demais.


A intenção é sempre melhorar.

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