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Leituras de 2016 (maio e junho)

Aparentemente jamais chegarei a meses tão bem sucedidos literariamente quanto foram janeiro e fevereiro. Apesar de estar conseguindo ler no ônibus e na espera imensa e tediosa por ele, no resto dos dias eu ainda dou uma mosqueada, acabo me ocupando de outras coisas e arrasto as leituras como se fossem malas pesadas demais para meus bracinhos de gafanhoto. Ainda assim, me saí melhor nessa leva do que nos dois meses passados. Também foi meu aniversário e ganhei um bocado de livros novos, já comecei a passar uns na frente dos outros e fico naquelas questões difíceis de não saber o que ler em seguida.

Vem ver o que eu li:

  • “Modern romance”, Aziz Ansari

Aziz Ansari, que homem impecável. E é claro que ele é impecável também quando resolve escrever um livro. Podia ser apenas mais um livro de celebridade divagando sobre alguma coisa que aconteceu, mas Aziz levou o negócio para outro nível e faz basicamente um TCC: tem referências teóricas, tem conversas com pesquisadores do assunto, tem pesquisa de campo, tem coleta de dados.

Só que óbvio que sendo Aziz a coisa é escrita de um jeito muito bacana de ler, quase dá para escutar a voz do menino – inclusive, ele incentiva que você faça isso. Dei gostosas gargalhadas. “Modern romance” fala exatamente sobre relacionamentos no mundo moderno. Trocas de mensagens com o flerte. Tinder. Sites de namoro. As dores e alegrias de ter todas essas possibilidades pra arrumar um parzinho.

Na dúvida se vale a pena ler ou não, respondo com o óbvio:

  • “Vamos juntas?”, Babi Souza

Provando que é sim possível ter sorte mais de uma vez na vida, ganhei esse livro como minha segunda cortesia do Skoob. Vamos Juntas? nasceu como uma página no Facebook que incentiva que mulheres busquem outras mulheres como companhia para que nenhuma tenha que andar na rua sozinha. Porque andar na rua sozinha é apavorante, a gente sabe que é. Achei bem bonitinha a edição, toda trabalhada na identidade visual do Vamos Juntas?, aquela coisa de livro de gente jovem e modernosa. O livro conta a história de como começou o movimento, tem depoimentos de várias mulheres e fala bastante sobre sororidade. É importante.

  • “A menina sem palavra”, Mia Couto

Queria muito ler Mia Couto. Aí comecei por esse, curtinho e de contos. Foi um bom começo. Os contos são bem legais e o estilo cheio de neologismos do cara é MARA. Eu queria anotar todas aquelas palavras e sair usando como uma louca. Já estou bem ansiosa pra ler mais coisas deste humano.

  • “O amante”, Marguerite Duras

Comprei esse livro quando estava comprando um presente, vi que estava na promoção e, mesmo sem saber nada sobre, pensei: Cosac Naify. Comprei. Além da edição ser 10/10 fui presenteada com uma escrita mui gostosinha e uma história bastante curiosa. O bacana é que Marguerite escreve num misto de vida real (dela mesma) com ficção e ninguém sabe o que é o que, fica tudo uma loucura, a mulher é misteriosa e cool pra cacete. Também tem o lance de que parece que ela detestou tanto a versão cinematográfica que fizeram para esse livro que foi lá e fez outro filme, do jeito dela. Toma essa, losers!!!! Queria pedir Marguerite em casamento.

  • “Do que é feita uma garota”, Caitlin Moran

Esse livro me lembrou um pouco a série “My Mad Fat Diary”: uma adolescente britânica nos anos 1990 para quem música é uma coisa muito importante. E isso é um elogio. Johanna está, em “Do que é feita uma garota”, tentando descobrir quem ela é, o que ela quer e do que ela gosta. E tá foda, porque além de todos os seus problemas, ela também percebe que as coisas não são tão fáceis para ela quanto são para os homens. E, nossa, a gente se identifica demais com essa confusão e desgraçamento mental. Nenhuma mulher precisa ter feito o que a Johanna faz para entender.

Toda a minha vida sempre pensei que, se não fosse capaz de dizer algo que os meninos achassem interessante, eu poderia muito bem calar a boca. Mas agora me dou conta de que havia toda uma metade invisível do mundo – garotas – com quem eu podia falar. Toda uma outra metade igualmente silenciosa e frustrada, apenas esperando que dessem a ela o menor sinal verde – a menor cultura de arranque – e ela explodiria em palavras, e música, e ação, e em gritos aliviados e eufóricos de “Eu também! Eu também sinto isso!”.

  • “Matilda”, Roald Dahl

No último post de leituras, comentei que comprei “Matilda na cidade” achando que teria algo a ver com a Matilda do filme. Que bom que não tinha! Uns dias depois, um presente de aniversário chegou (bjs lisi) e era uma edição fofa e ilustrada de “Matilda”. Li mais da metade de uma vez só, no ônibus a caminho de Curitiba – o que é um baita feito, já que eu quase sempre gasto a maior parte desse tempo dormindo.

Ainda que uma graça – pois quem nesse mundo não quer ser uma criança super inteligente que lê horrores e ainda consegue mover uns objetos com o poder da mente super poderosa? – “Matilda” é mais um desses livros infantis que eu fico meio surpresa de serem de fato para crianças. Não assusta um pouco a ideia de ser ótima mas mesmo assim ter pais horríveis, que ligam zero para você, te tratam mal? E de ter uma diretora na escola que bate e tortura as crianças e não acontece nada com ela? Mas, no fim, tudo fica bem. Se é que é ficar bem os seus pais irem embora sem você porque efetivamente estão cagando pra sua vida e te deixam com uma professora da escola???????? Não indico para crianças que não sejam fortes de coração.

  • “A cauda longa”, Chris Anderson

Isso é uma quase-trapaça porque tive que ler esse livro pra um módulo da pós e estou colocando nessa lista como se houvesse qualquer chance de eu ter pego isso para ler não fosse a obrigação acadêmica. Apesar de não estar esperando por isso (visto que quando indicaram esse livro na graduação eu segui ignorando), achei uma leitura bacana. O conceito é interessante. E ainda tem o bônus do autor se referir ao Nsync como “homens jovens e varonis”, o que me arrancou gargalhadas.

Porém a edição que eu li tinha uns lances tenebrosos de trocar MAS e MAIS algumas vezes, a gente só pode orar pela alma da pessoa que deixou isso passar.

  • “Dentes guardados”, Daniel Galera

Eu sou fã do Daniel Galera. Li quatro dos seus livros, gostei de todos e fico animada diante da chance de ler outra coisa dele. Mas, toda regra tem que ter uma exceção nesse universo terrível e de coração gelado. “Dentes guardados” foi minha exceção no assunto Daniel Galera. É um livro curto de contos, que foi publicado por um selo próprio do autor antes de saírem os romances pela Cia das Letras e que hoje está disponível para download gratuito no site do Galera. Mas assim. Não gostei. Podia ter passado sem essa. Vida que segue.

  • “Tá todo mundo mal”, Jout Jout

Gosto bastante do canal da Jout Jout e da pessoa Jout Jout, então fui ler o livro dela. Achei médio. Bacana o formato que ela escolheu para contar as histórias, o ritmo de leitura é super rapidinho. E também teve aquele efeito de identificação e em vários momentos eu tava aqui dizendo para mim mesma “nossa sim!!! aham!!!”. Mas, tem o lado de que algumas dessas histórias a gente já conhece de youtube, então não é assim tão imperdível.

  • “Luzes de emergência se acenderão automaticamente”, Luisa Geisler

Além de ter um título maravilhoso e começar com uma frase ótima, esse livro segue sendo sensacional em todas as suas páginas. Eu tive sérios problemas em parar de ler, porque só queria ficar sentada pra sempre lendo até terminar. Imaginem que li mais da metade no ônibus, local no qual eu costumo me dedicar ao soninho. Eu não quero contar sobre o que é, já não lembrava mais o assunto quando comecei a ler (se é que um dia soube) e achei ótimo começar com a surpresa e também vertendo lágrimas (foram muitas, em várias partes). Só vou dizer que é amor e é doído e é escrito em cartas e é sensível e é forte e é vida real e nossa que aperto no peito.

Na foto da orelha, a gente pode ver que Luisa Geisler tem cara de quem poderia ser uma das suas amigas. E, cara, eu quero ser amiga da Luisa Geisler. Eu já queria quando apenas lia os textos dela no blog da Cia das Letras. É óbvio que fiquei querendo mais quando comecei a ler esse livro maravilhoso. Aí eu cheguei num trecho em que ela escreveu que “amor é andar de mãos dadas” e nossa senhora jamais me senti tão compreendida. Luisa, se você um dia por acaso ler este post (?), favor entrar em contato para começarmos nossa amizade. Obrigada.

  • “Never have I ever: my life (so far) without a date”, Katie Heaney

Eu tinha uma meta própria esse ano que era ler um livro de não-ficção por mês, porque antes eu apenas nunca lia. Agora parece que um caminhão deles tá aparecendo na minha frente e esse é mais um. “Never have I ever” me foi indicado em uma conversa sobre mozãofobia, então por que não? Aí o que aconteceu enquanto eu lia foi aquele misto de não saber se ria (e não só porque a moça Katie é muito simpática e bem humorada) ou se chorava. Céus, como cai na gente esse balde de identificação.

O livro é sobre a história da Katie, uma moça que aos 25 anos nunca namorou e malemá teve mais de dois encontros na vida, ainda que viva tendo uns crushes 100% impossíveis. Se isso tem qualquer semelhança com a sua própria existência, prepare-se para fortes emoções.


Acabou e não vou prometer ser melhor e nem ter essa expectativa porque não tá funcionando. Estamos todos apenas seguindo nossos destinos, etc.

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