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Leituras de 2016 (janeiro e fevereiro)

2016 promete. Em questão de leituras tenho sido bastante produtiva até então. Consegui superar minha birrinha com livros digitais, o que me fez sair de uma grande inércia causada pela preguiça absurda de ler os livros que eu comprei há muito tempo – os novos sempre parecem mais atrativos, e esses antigos são começados vezes incontáveis e abandonados porque eu apenas. não. consigo.

Enfim. Acho que, considerando meu próprio histórico, estou indo bem. E também sigo com a sorte grande de só ter lido coisas que valeram a pena. Resolvi registrar todas elas porque a minha memória é uma terrível piada de mal gosto e eu tendo a esquecer as coisas com grande facilidade. Me acompanhem.

  • “Uma longa queda”, Nick Hornby

Assim como acontece em todos os livros do Nick Hornby – ou, pelo menos,  em todos os que já li – “Uma longa queda” é sobre pessoas ferradas. Martin, Maureen, Jess e JJ se conhecem quando estão prestes a cometer suicídio pulando do topo de um prédio na noite de ano novo e aí, ao invés de se matarem, os quatro decidem formar um estranho grupinho e deixar a decisão (de continuar vivendo ou não) para depois. São pessoas completamente diferentes, e a dinâmica do livro é ter um capítulo narrado por cada personagem alternadamente. O que é meio sofrível em alguns casos, porque a narração dos capítulos da Jess é bem irritante. Mas, por outro lado, é útil para conhecer melhor cada personagem, suas vidas e a forma com que eles encaram seus problemas. E também para perceber que a Maureen é a melhor pessoa (dos quatro).

  • “Americanah”, Chimamanda Ngozi Adichie

Já queria ler “Americanah” há um tempo e tinha expectativas perigosamente altas por só ter ouvido elogios ao livro. Felizmente, agora posso me juntar ao coro. Que livro maravilhoso. Era difícil ter que largar a leitura e, quando não estava lendo, estava pensando no que li. Tanto que até sonhei com a história.

“Americanah” é uma história de amor, de Ifemelu e Obinze ao longo de muito tempo e via uma narrativa não linear. A história intercala a perspectiva da vida da Ifemelu e a perspectiva da vida do Obinze, passando pela Nigéria, Estados Unidos e Inglaterra, em momentos juntos e separados. Mas não só isso. Chimamanda é uma gênia e discute uma série de questões durante todo o percurso – questões de gênero, de raça, de viver num país que não é o seu. Ela te convida a pensar. O livro é denso, pesado, leve, bonito, tudo ao mesmo tempo. Eu não sei bem como ela faz isso, mas é sensacional. E a edição, da Companhia das Letras, é bem bonita. Faça esse favor na sua vida e leia.

(E também veja a moça no TEDx para se convencer de vez.)

  • “Formas de voltar para casa”, Alejandro Zambra

Esse era o último Zambra que me faltava ler e adquiri em uma troca no Skoob. O livro conta a história em dois tempos: o presente e a infância do protagonista. Assim como os outros livros do autor, esse é rapidinho de ler e é bem bacana. Vale a pena.

  • “Vem cá que eu te conto”, Rodrigo Domit e Gisele Pacola

Resolvi participar do Desafio Livrada 2016 e acabei lendo este livro para uma das categorias, a de um autor do meu estado. Rodrigo Domit e Gisele Pacola são paranaenses, disponibilizaram o livro para download gratuito e eu já tinha lido um do Domit e gostado. Por que não? Só que acabei que não curti tanto assim. É um livro de contos curtos, rápido de ler, com os contos dos dois misturados, sem uma ordem específica. Gostei de alguns, não gostei de outros. No fim, achei regular.

  • “Fangirl”, Rainbow Rowell

Minha ideia também foi ler “Fangirl” para o Desafio Livrada, na categoria de livro bobo. Ainda que eu não ache que literatura YA seja necessariamente boba. E, de fato, achei glorioso ler isso. Logo de começo já não conseguia parar de ler e fiquei até altas horas perdidas nos capítulos – coisa que não acontece mais com tanta frequência na minha vida. “Fangirl” conta a história de Cath, uma garota que acabou de entrar na faculdade e escreve uma fanfic muito apreciada sobre uma série de livros que é mais ou menos um Harry Potter. E ela tem aí um bocado de problemas e dificuldades, com coisas diferentes: o pai, a irmã gêmea, vida social. E, é claro, tem um romancezinho.

Não sei se foi o fato de eu já ter lido muita fanfic na vida e ter encontrado essa chance de identificação. Não sei se foi por fazer tanto tempo que não lia um YA que não fosse assustadoramente triste e melancólico. Não sei se foi por ter um sopro de leveza depois de uma sequência de livros pesados que vinha desde o fim do ano passado. Sei apenas que ler “Fangirl” trouxe de volta o mesmo sentimento que eu tinha ao ler Meg Cabot aos 14 anos. Ou seja, foi sensacional.

  • “A trama do casamento”, Jeffrey Eugenides

Esse foi meu terceiro livro do Jeffrey Eugenides e sigo curtindo bastante. “A trama do casamento” se passa nos anos 1980 e começa contando a história de jovens universitários que estão se formando e estão naquela fase terrível de viver que é a do ai-e-agora. Os capítulos alternados entre Madeleine e Mitchell, os dois personagens principais, falam de momentos em que a vida deles se encontra e de desencontra, além de tratarem sempre do terceiro componente principal da história, Leonard, o namorado de Madeleine. O negócio do livro é acompanhar como os personagens lidam com as coisas e o autor consegue desenvolver muito bem.

  • “Meio sol amarelo”, Chimamanda Ngozi Adichie

Por ter gostado tanto do primeiro livro que li da autora, parti para o segundo também com altas expectativas. E, mais uma vez, não me decepcionei. Basicamente tudo que eu sabia sobre a Nigéria foi o que tinha lido em “Americanah”. Em “Meio sol amarelo” dá para aprender muito mais; Chimamanda fala sobre a guerra e o estado independente de Biafra. A história é contada em capítulos alternados da perspectiva de três personagens diferentes que estão no mesmo círculo: a belíssima Olanna, que vem de uma família rica, dá aula na universidade e se relaciona com um revolucionário intelectual chamado Odenigbo; o garoto Ugwu, que é o criado na casa de Odenigbo; e Richard, um britânico que se envolve com Kainene, a irmã gêmea de Olanna.

O livro é pesadíssimo, tem muitas cenas fortes. A narrativa mistura os tempos de um jeito que faz você morrer de curiosidade. E é muito bom. Mesmo.

  • “Fim”, Fernanda Torres

Foi bom ter pego esse para ler antes daquele infeliz texto da Fernanda Torres na Folha, assim pude ler sem as lentes da implicância. “Fim” conta a história de vida e, mais propriamente, da morte de um grupo de amigos – agora idosos mas que se conhecem desde jovens -, que morrem em momentos diferentes e por motivos diferentes. Cada capítulo é contado da perspectiva em primeira pessoa de um personagem. Parece meio que uma seleção de contos que combinam e formam um conjunto coeso. É bacana.

  • “A arte de pedir”, Amanda Palmer

Eu me apaixonei por esse livro. Meio que achei que ia ser um lance de autoajuda, por conta do título. Mas não. É quase que uma autobiografia, um diário mesclado com uma carta aberta. Amanda Palmer é música, artista performática e rainha. No livro, ela compartilha suas experiências pedindo coisas, algo que marca muito a carreira dela em todos os trabalhos que já teve, com grande destaque para seu tempo como estátua viva de rua e seu projeto milionário no Kickstarter. Também tem histórias e comentários sobre outros momentos da carreira: como garçonete, rockstar, palestrante do TEDx, stripper, escritora desse livro, usuária ativa do twitter.

Amanda fala bastante da sua relação com os fãs, da amizade com um cara chamado Anthony, da infância, da vida pessoal, da relação com o Neil Gaiman (partes nas quais foi impossível não me afundar pois maravilhoso, quero abraçar esse casal para sempre, a história deles parece uma comédia romântica só que melhor, amo amanda, amo gaiman, amo vocês). E ela também te convence a ACEITAR AS ROSQUINHAS. Às vezes a gente acha que não merece as rosquinhas, mas a Amanda fala assim que é pra gente parar com isso e aceitar. Leiam!!!!

(Mais um TEDzinho pra vocês, falando basicamente do mesmo que o livro.)

  • “Todos os meus amigos são super-heróis”, Andrew Kaufman

Esse livro é sobre um cara que tem amigos com superpoderes. Mas não são super-heróis do tipo Marvel ou DC. Eles têm superpoderes estranhos – tem a que faz tudo perfeito, tem o cara que consegue saber quanto dinheiro uma pessoa vale, tem o cara que hipnotiza pessoas, tem o monstro da insegurança. A história se concentra no Tom, o que não tem poderes, e no seu relacionamento com a Perfeccionista, mas tem várias apresentações dos outros heróis. Achei fofinho.

  • “Vida querida”, Alice Munro

Depois de um leve desvio de foco, mais um adotado para o Desafio Livrada: um livro de um ganhador do Nobel. Alice Munro é canadense e ganhou o prêmio em 2013. “Vida querida” é uma coletânea de contos bueníssima, com ótimas personagens femininas e uma sensação da autora dando um leve toque no seu ombro e dizendo “pense nisso”. Achei os contos muito fáceis de imaginar, de criar uma imagem, a gente acaba o livro com a sensação de que foi quase um filminho. Gostei e quero ler mais coisas da Alice.

  • “O histórico infame de Frankie Landau-Banks”, E. Lockhart

Mais um YA, mas esse com uma proposta diferente do comum: Frankie não é uma adolescente em um romancinho típico. Frankie está com um cara meio nada a ver e ela quer mostrar pra ele que ela merece mais – e ela consegue, do seu jeito. É um livro com clichês como colégio interno norte-americano, sociedade secreta e grupinhos de pessoas populares sim, mas ele parte disso para uma história que não é o comum dos YA. Digno. E divertido.

  • “Queria ver você feliz”, Adriana Falcão

Esse livro é lindo. Lindo mesmo. O que é ótimo, visto que depois de “Luna Clara e Apolo Onze” eu tinha grandes expectativas para um outro livro da Adriana Falcão. A autora conta aqui a história da família dela – ou, melhor, a história dos pais dela. Tudo desde o momento em que se conhecem, começam a namorar, se casam, têm filhos e netos. A narração é feita pelo amor, intercalada com cartas dos personagens principais. Também tem fotos e imagens de bilhetes. O ritmo e o jeito que Adriana escreve são hipnóticos, é fácil ser absorvida. A história, como eu já disse mas vale repetir muitas vezes, é linda, linda, linda. E quando acabei estava com parte da minha roupa alagada de lágrimas. Leiam.

  • “Lugar nenhum”, Neil Gaiman

Após me apaixonar pelo Gaiman descrito por Amanda Palmer, mais uma vez me apaixono por Gaiman escrevendo suas próprias coisas. Maravilhoso esse homem, né? “Lugar nenhum” é, assim como podemos esperar do autor, um livro de fantasia com umas coisas LOKAS e obviamente incríveis. Separei esse para a minha categoria de livro maluco do Desafio e não me arrependi. A história acompanha Richard, um britânico bonzinho, após sua vida ficar louca quando ele ajuda uma menina na rua. A partir daí começa a jornada por uma Londres alternativa, um mundo subterrâneo com ratos, pessoas que falam com ratos, anjo, monges, monarcas, pessoas com estranhas habilidades que são “invisíveis” para as pessoas da Londres de Cima. É daqueles que me fazem querer saber o que vai acontecer e que não desaponta com os resultados.

Para quem interessar, a BBC fez uma versão do livro em rádio com episódios que podem ser ouvidos online nos próximos vinte e poucos dias. O casting foi muito bom e tem Benedict Cumberbatch, James McAvoy, Natalie Dormer e David Harewood.

  • “Festa no covil”, Juan Pablo Villalobos

 Mais um para o Desafio: “Festa no covil” é a minha escolha para a categoria de novela. O livro curtinho (óbvio) conta uma história de drogas e crimes, mas narrado por uma criança, um garotinho que é filho de um gigante do império de drogas no México. O moleque é uma graça e um poço de inocência, o que deixa as coisas tensas pra gente que tá lendo. Ele mescla as partes fofas e engraçadinhas, com o menino usando palavras que ele descobriu no dicionário, falando de seus pets e de tudo o que o pai e o professor particular ensinam para ele, com as partes pesadas mais no fundo, de armas, de crimes cometidos pelo pai, da vida perigosa. Gostei e quero ler mais Juan Pablo Villalobos – que eu só conhecia via posts no blog da Companhia.

Ufa. É isso. E que março não tire as alegrias que o início do ano me trouxe.

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