dora aventureira

Fossa de cidade: um drama da vida real

Voltei de Belo Horizonte, onde fiquei de domingo a domingo, cheia de saudade. É uma fossinha da cidade, uma ressaca de viagem, um sentimento de recusa de voltar para a vida real.

Tô com saudade das pessoas. Os mineiros são maravilhosos. E fofos. Quando a gente não sabe para onde ir e pede direções, eles não apenas explicam – eles te guiam, vão com você até lá, conversando. Desconhecidos se despedem de você desejando sorte na vida. Tios no ônibus te compram balas. Seguranças de prédio te recomendam restaurantes bons e baratos. Senhores em farmácias te oferecem um cafezinho que acabou de sair, contam piadas e anedotas sobre os netos. E tem aquele sotaque. Todo mundo parece automaticamente mais fofo quando começa a falar. Descobri que minhas palavras favoritas no sotaque mineiro são “por favor”. Mas também gosto muito de como eles conseguem deixar a palavra “flerte” ainda mais legal. E, é claro, sou uma grande fã do uai e do trem, tão expressivos e reveladores.

Tô com muita saudade da comida. É impressionante que não houve um só lugar em que a comida era menos que ótima. E dessa vez eu pude passar (com louvor!) pelos clássicos da culinária local: pão de queijo, café, queijo, feijão tropeiro. Ficava genuinamente realizada em cada refeição e apenas arrasada que uma doença ridícula me deixou com o apetite um lixo, muita comida que eu gostaria de comer sobrando no prato. Ainda assim, uma semana foi tempo suficiente para que eu ganhasse três quilos.

Sei que vou sentir saudade dos rolês. Em Maringá, saio sempre para o mesmo lugar e, provavelmente, faria isso em qualquer lugar do mundo. Mas, talvez não fosse tão simples assim escolher meu único lugar favorito em BH. Não é por acaso que chamam a cidade de cidade dos bares: eles existem aos montes e ficam lotados. Ainda assim, o atendimento é ótimo, todo mundo é simpático e as pessoas parecem ser bacanas. Nas duas “baladas” (os jovens ainda falam balada?) que fui, zero caras passaram por mim sentindo a necessidade de colocar a mão na minha cintura – algo que é um recorde quando comparamos a rolês maringaenses. Quando esbarram em você na muvuca, pedem desculpas.

Tô com saudade forte das praças, dos parques. Das pessoas todas sentadas nos bancos ou no chão. Lendo, tocando violão, conversando, fazendo nada, namorando. Nunca antes tinha visto tantos casais apaixonados quando vi em Minas. A Liberdade é um grande centro de amor e casais de todas as idades passam um tempo por lá. Crianças ainda brincavam nas praças às 10 da noite. Idosos esperavam dar a hora da missa. Hippies vendiam suas artes. Jovens fumavam. É um público bem variado dedicando seu tempo ao ócio em conjunto, de boinha. E até dá para fazer amigos em praças, vejam só!!!!!!

E também tô com saudade da rotina de viagem. De não ter nenhuma responsabilidade exceto acordar cedo e partir para conhecer algum lugar. Ficar rodando em museus, andar para caramba em trilhas sem fim, olhar para mapas e escolher sempre a direção errada, aprender a usar o Moovit (BAIXEM), fazer uns snaps de turista, terminar o dia com os pés em frangalhos.

pensando na cidade longe de mim
pensando na cidade longe de mim

Em resumo, já quero voltar.

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