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Mandar cartas é legal, vamos mandar mais cartas

Sempre achei carta uma coisa mágica.

Quando criança, descobri a coleção de cartas dos meus pais. Eles namoraram muitos anos à distância (meu pai em SP, minha mãe no Paraná) e é claro que isso rendeu uma infinidade de cartas e cartões breguíssimos, cheios de flores, corações e borboletas. Eu achava o máximo. Li todos eles várias vezes.

Depois, aos oito anos, tive pneumonia e fiquei internada por um tempo. O hospital não era na cidade em que eu morava e só a minha mãe ficou comigo, mas todos os dias meu pai ia visitar, levando a minha irmã – e, uma vez, levando também o meu gato. Numa das visitas, ele apareceu com um bolo de cartas de todos os meus coleguinhas da turma de segunda série. E eu achei o máximo. (e também muito curioso. claramente a professora obrigou todos os alunos a escreverem alguma coisa, já que eu não tinha tantos amigos e não era ~popular~. não consigo imaginar nem que as pessoas tenham percebido que eu estava faltando nas aulas, quiçá que elas tenham implorado por uma oportunidade de me escrever desejando melhoras e que eu voltasse logo. mas tudo bem. valeu, profe.)

Lá pela terceira série, as escolas tiveram a ideia sensacional de fazer os alunos se corresponderem. Nossa classe mandava cartas para alunos desconhecidos de alguma outra classe de terceira série em outra cidade, cada um escrevendo para o seu correspondente no número de chamada. Já não lembro mais qual era a cidade nem o nome da minha amiguinha, mas obviamente eu achava o máximo receber notícias de um lugar em que eu nunca tinha estado, de uma pessoa da qual nunca vi a cara.

Jerry/Garry/Larry mandava cartas.
Jerry/Garry/Larry mandava cartas.

Não guardei nenhuma dessas cartas – nem as da desconhecida, nem as dos coleguinhas de turma. Mas, guardei outras. Ao longo dos tempos fui acumulando uma série de cartinhas que meus amigos me entregavam em mãos, visto que me viam com frequência. Cheias de acrósticos com o meu nome, desenhos, poeminhas e aquelas brincadeirinhas com números que eram o que havia de cool naquela época (“100 perceber 20 trazer 1 amizade 100 fim” e etc). Nem tenho mais contato com muitas dessas pessoas, mas os registros estão lá, numa caixinha dentro de uma mala velha.

E aí vieram os amigos da internet e toda aquela coisa de mandar e receber cartas pelo correio de novo, em aniversários e natais. Já falei e vou repetir: acho o máximo. E, embora eu sempre saiba quando vai acontecer, duas vezes recebi entregas de surpresa (bjs lisi, bjs sara) e foi sensacional. Sério. Você está na sua casa, vivendo a sua vida e aí DO NADA chega uma carta pra você. Eu ganho o dia. É maravilhoso. Não sei se é essa coisa de ser fora do comum. Não sei se é imaginar que a pessoa dedicou um tempo da vida dela pra isso; ela teve que tirar um tempo para escrever, arranjar um envelope, ir até o correio e postar a carta pra você.  Só sei que é maravilhoso.

Agora, minha amiga mais antiga está fazendo intercâmbio. E eu morro de saudade, mesmo que conversemos com frequência via web e que eu já tenha visto fotos até do banheiro dela. Então, resolvi fazer o lance da cartinha surpresa. Pedi o endereço para a mãe dela, escrevi e enviei. Consegui me controlar para não contar antes de chegar. E, 15 dias depois, a carta chegou e a reação dela foi a mais fofa do mundo.

Salém mandava cartas.
Salém mandava cartas.

E, CARA, POR QUE A GENTE NÃO MANDA MAIS CARTAS SE É TÃO LEGAL? VAMOS MANDAR MAIS CARTAS. ME MANDEM CARTAS. É O MÁXIMO.

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3 thoughts on “Mandar cartas é legal, vamos mandar mais cartas

  1. O SNAP DA CAMILA FOI FOFÍSSIMO MESMO ESTOU ATÉ EMOCIONADA.

    único problema de mandar cartas é ter que ir ao correio, sabe…

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  2. Eu sempre achei o máximo essa coisa de mandar e receber cartas, mas é algo que nunca fez parte da minha realidade, ao ponto de que, quando eu conheci meu marido e contei que nunca tinha recebido uma carta (isso com 18 anos), ele me enviou uma (primeira e única rsrsrs).

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  3. Sabe que esses dias tive que enviar uns livros de troca do Skoob e fiquei toda feliz, enfiando post-it e marcador no pacote? Sinto muita falta de escrever cartinhas, mas meu tempo hábil para ir ao correio é tão escasso. Tenho só o almoço para fazer isso e, muitas das vezes, acabo extrapolando meu horário. Mas sou igual à você: tenho uma caixinha com todas as cartinhas, entregues em mão ou pelo carteiro, ingressos de show, cinema etc. Papel é uma coisa mágica que eu queria não gostar tanto, porém é meio impossível, já que trabalho com isso. xD

    Beijinhos, Kahzinha. <3

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