dora aventureira · listinhas

Rio de Janeiro: um resumão em dez pontos

Na minha primeira vez na cidade maravilhosa, fui recebida por um Rio de Janeiro nublado, com vento gelado e com ocasionais chuviscos. O tempo permaneceu o mesmo nos meus cinco dias na cidade e não houve como ter a experiência de Rio 40 graus – então, não teve praia, não teve Cristo e não teve foto de paisagem livre de tons de cinza. Mas, teve museus, teve andanças, teve sambinha, teve noite na Lapa, teve Pão de Açúcar, teve feirinha e teve até assistir futebol em mesa de calçada.

Para registrar as ocorrências, um resumão geral de fatos e aspectos que escreverei ouvindo um samba.

#1 O motivo oficial para estar curtindo o Rio no feriado era participar da etapa nacional do Intercom, mas não aproveitei muito o evento academicamente – embora a programação tivesse várias coisas que pareciam interessantes. Vi apenas uma mesa em que a moça que achei que seria ótima era péssima; e apresentação de alguns trabalhos do Intercom Jr., que foram bem melhores. O ponto alto, no entanto, foi a ótima abertura: a melhor de todas as edições em que estive. Teve jongo, teve sambinha, teve bateria da Portela. E teve muito eu sambando feliz, na chuva, do meu jeito ridículo de quem não sabe o que faz e que considera que os pés não têm importância desde que o sorriso esteja no rosto e as mãos em movimento, passando vergonha aos olhos dos nativos mas me divertindo horrores.

#2 O trânsito do Rio é uma aventura aflitiva para seres humanos tais como eu, que acreditam que algumas regrinhas estão ali para serem seguidas por questões de segurança mesmo, não vale a pena ser rebelde nesses casos, sabe? As faixas de pedestres são poucas e os semáforos demoram eras glaciais para fechar, o que transforma todas as travessias em oportunidades de pensar no seu testamento. Em ruas estreitas, a mão é dupla e os carros passam a toda, usando buzinas mil e fazendo com que você tenha vontade de andar colada às paredes. E as motos, ah as motos! Em lugares em que eu não aconselharia nem o trânsito de um poodle toy lá estão elas, as motos. A regra imperativa do trânsito carioca parece ser algo na linha do “se tem espaço, eu vou me enfiar lá no meio sim”. Em um mapa de um veículo médio pelo Rio de Janeiro, veríamos um desenho parecido com um toboágua.

#3 Enquanto em Maringá temos uma universidade com grande habitação canina, na UFRJ a abundância é de gatos – ao menos no campus da Praia Vermelha. Tem gatos (muito fofos e gordinhos!) por todos os cantos, com ração deixada em potes com telhadinhos em pontos do campus. Vi gatos pretos, rajados, ruivos, cinzas. Vi gatos dormindo tranquilamente em cima dos carros no estacionamento. Vi gatos ariscos e gatos mansinhos. EU VI UM GATO DE UM OLHO SÓ.

#4 O lance do samba no Rio de Janeiro é um lance sério. O samba está em toda parte e, onde há samba, há pessoas sambando. Tem gente sambando no barzinho com samba ao vivo, tem gente sambando em um bar ao som do samba tocado no bar ao lado, tem samba tocado no meio da rua e tem gente dançando na rua até quando não tem nenhuma música específica sendo tocada por perto. Os caras usam aquele típico chapéu de sambista. Tem vendedores ambulantes que vendem esses chapéus nos bares, caso você decida que está pouco de samba, que falta algo de samba no visual, que dá pra ser mais carioca. É maravilhoso.

#5 A impressão que eu tive é que o Rio é uma cidade pensada pra turista em primeiro lugar e depois pras pessoas que vivem lá de fato. E, minha nossa, quantos turistas; mesmo sem sol, mesmo fora de temporada, quantos turistas. Os gringos estão em toda parte, com suas caras de gringos, perdidos e deslumbrados. Deve ser difícil passar um dia inteirinho na rua sem ouvir conversas em inglês, espanhol, francês, algo que você chuta que é tcheco e sua amiga acredita ser uma língua árabe.

#6 A comida carioca é boa; ou, pelo menos, era assim em todos os lugares que comi (e não eram aqueles rolês com preços astronômicos). Você compra a refeição e o feijão vem separado, em uma tigelinha, e essa é a melhor ideia que a humanidade já teve pois muito mais feijão pode ser ingerido.

#7 O carioca é oito ou oitenta. Ou a pessoa é gente boa, solícita, simpática e sorridente ou é um ser humano cuzão, que metralha umas grosserias sem sentido e que ostenta aquela expressão que tem como objetivo deixar claro que você está bastante abaixo do nível superior que é a existência dele. Algo assim, nessa vibe.

#8 Minhas interações não foram numerosas, mas existiram e até pude me sentir um tiquinho jovem. No quadro geral, temos: Sara, uma garota fofa de quatro anos que estava no metrô; Stefan, um alemão que eu ensinei a dançar forró ainda que eu mesma não saiba dançar forró; um policial que faz pedagogia e ofereceu um pedaço da sua cocada; Sérgio Henrique, um taxista que acredita ser impossível ir ao Rio e voltar para casa sem dar uns beijinhos.

#9 Tudo é caro. É caro pra comer, é caro pra beber, é caro pra se locomover. E nem pense em ser feliz em feira hippie de Ipanema porque os itens custam caro e esses meus grandes olhos viram artigos com etiquetas com números de quatro dígitos, oito mil dilmas em crise por uma escultura de madeira, coisas assim.

#10 Toda vista é bonita. Você abre a janela, olha pra fora e a vista é bonita. Bem por isso a cidade está cheia de mirantes, de lugares para apenas parar e ficar observando o que tá em volta. Tem construções muito bonitas, morros bonitos, árvores bonitas, praias bonitas, pessoas bonitas. É uma bênção para os olhos, a cidade maravilhosa.

de boas olhando pro nada
euzinha de boas olhando pro nada

Em uma próxima ida ao Rio, ainda tem muita coisa para ser feita e espero ter à disposição mais tempo, mais dinheiro, mais sol e pernas mais resistentes para enfrentar as ladeiras, as ruas de paralelepípedo, as escadarias e as filas sem fim.

(muitas coisas deram errado, mas isso pode ficar para trás. ou ainda será pautado em outros momentos.)

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One thought on “Rio de Janeiro: um resumão em dez pontos

  1. O Rio deve ser lindo, mas esse trânsito, essa incrível quantidade de pessoas me deixa um pouco nervosa.
    Pena que pegastes dias nublados mas tenho certeza que mesmo em tons de cinzas as fotos ficaram ótimas!

    Que bom encontrar teu blog novamente.
    Beijos!

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