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Amor para se espalhar

Às vezes tenho uma vontade exclusiva de ler um livro leve. Não um livro bobo, veja bem. Mas um livro descomplicado, para ler felizinha e sem embromações. Leve. Para respirar, descansar de rotinas cruéis ou esquecer um pouco alguma bad de outro livro.

Nem sempre faço as escolhas certas. Foi assim com “Quem é você, Alasca?” (John Green) – como é que eu podia prever tamanha desgraça e aquele clima que me deixou aflita e me pondo na mesma situação? E foi assim também, mais recentemente, com “Vaclav & Lena” (Haley Tanner) que me pegou totalmente desprevenida. Outras vezes, porém, tenho mais sorte. Como dessa vez.

Tinha acabado de ler “Maus” (Art Spiegelman) e desejava desesperadamente um pouco de leveza e de felicidade. Por isso, fiquei em crise; é que recentemente me apontaram que todos os meus livros são meio tristes. Só que não todos. Não “Luna Clara & Apolo Onze“, pelo menos, como eu logo descobri.

lunaclara

Luna Clara e Apolo Onze moram em duas cidades separadas pelo meio do mundo, Desatino do Norte e Desatino do Sul, e estão conectados desde sempre: o nascimento de um possibilitou a existência da outra. Mas, como o título pode sugerir, Adriana Falcão não conta uma história clichê de romance adolescente. Ela conta a história de amor e desencontro de Aventura e Doravante, de coincidências, de velhas misteriosas, da família da Paixão, da espera de Luna Clara, de uma festa que não acaba nunca. É de gente que corre atrás da felicidade sem desistir, é de menina de doze anos falando sobre igualdade de direitos, é de mulheres fortes.

“— Filha minha não…
Madrugada discordou radicalmente.
— Não o quê? As filhas são minhas também e filha minha sim.” (p. 285)

Se já tinha tido contato com outros livros da Editora Salamandra, não me lembro. Então, a surpresa foi boa. A edição é muito caprichada e cuidadosa. Capa e contra-capa são bem bonitas, as ilustrações de José Carlos Lollo são ótimas e estão muito bem distribuídas. Não houve economias de espaço, tudo está no seu lugar e o conjunto é harmonioso. Algumas poucas palavras passaram com um hífen inesperado no meio, apenas. Se é proposital? Não sei, talvez seja. Mas ainda que não, isso não chega a incomodar.

Os capítulos são curtos e as ilustrações são abundantes, mas dá tempo de sobra para ficar encantado com os personagens muito bem construídos e, especialmente, muito bem nomeados. Aventura, Doravante, Equinócio, Pilhério, Erudito, Odisseia, Madrugada, Babilônia, Poracaso. As personalidades são bem definidas, tanto a dos humanos quanto a do papagaio que recita o dicionário ou a do cavalo que se emociona em casamentos.

Cada palavra é bem pensada e o resultado é um ritmo que eu só posso descrever como delicioso e poético, até. Parece um desenho. Ou uma minissérie. Ou os dois, quem sabe. As imagens e cenários vão surgindo na cabeça, é difícil não ler de uma vez só e acaba rápido. Acaba, mas deixa um sorriso.

“Luna Clara & Apolo Onze” é um livro amor. Leve. Ou, como bem definiu Fernanda, rainha que me presenteou com essa obra, é um livro abraçável.

“É para isso que servem as palavras de amor.
Para se espalhar.”
Luna  Clara & Apolo Onze, Adriana Falcão (Salamandra, p. 184)

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