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10 gambiarras decorativas de uma casa quase minha

Já faz cinco anos que não moro mais com os meus pais. Neste tempo, morei em três apartamentos – sempre acompanhada da minha irmã e, durante dois anos e meio, com mais uma amiga. As mudanças frequentes e a constante incerteza de por quanto tempo aquela ainda será a sua casa fazem com que eu não possa ter privilégios como pintar ou furar paredes, já que o trampo (e o preço) na hora de sair do lugar seria uma história quase de batalha épica entre mim e a imobiliária. Incertezas e falta de dinheiro é o que sempre acaba pesando nas decisões decorativas. Afinal, nem todos podem montar seu apartamento estudantil com móveis bonitos e cadeiras que são obras-primas do design ou se dar ao luxo de sucumbir a DIYs mirabolantes.

Minhas coisas sempre tiveram um quê de improviso. Meus móveis chegaram aos poucos e a maior parte deles não é nova. Passei algumas semanas usando o tanque como pia e uns bons seis meses chamando três colchões empilhados na sala de sofá.

Mas, o que faz a sua casa ser a sua casa são as suas coisas. Fiz questão de trazer para o meu primeiro e minúsculo apartamento todos os meus livros, que foram aumentando e tornando as mudanças seguintes um tanto mais pesadas. Também tenho uma boa gama de cacarecos e sem essas coisinhas pareceria que eu nem moro aqui. Por isso, essa casa é quase minha. E, no momento, isso é tudo o que eu consigo ter, uma vez que já é difícil chamar a casa dos meus pais de minha.

Assim sendo, minha decoração é feita de gambiarras. Acompanhem.

#1 Ímãs de geladeira

Minha geladeira está cheia de ímãs. A maior parte deles veio daquela promoção do Danoninho que tinha ímãs de letrinhas como brinde. Conseguimos juntas tantas que deu para montar três frases (“houston we have a problem”, “sai zica” e “cotoco doido”) e ainda sobraram algumas letras aleatórias. Além desses, temos ímãs de letras que vieram com um panfleto de propaganda de alguma escola de inglês da cidade, lembranças de viagens de amigas queridas e alguns que vieram com camisetas da Vandal. E também, é claro, vários números de táxis, pizzarias, bares e companhias de gás na lateral.

#2 Globo espelhado

Por algum motivo, quando eu ainda morava com a minha amiga, nós tivemos uma fase de querer muito um globo espelhado, daqueles de baladas e pistas de dança. Chegamos até a pesquisar preços que eram, obviamente, muito fora do nosso orçamento. Então, resolvemos fazer o nosso próprio. Uma bola de isopor, uns tubinhos de cola quente e muitos CDs picados depois nascia nosso globo espelhado. Por muito tempo ele figurou no céu da casa, pendurado logo abaixo da luz da sala. Porém, a linha usada para pendurar se separou do globo na última mudança e hoje ele se encontra aposentado, sentado numa estante.

#3 Móveis by Pai&Mãe

Para sair dos seis meses sem sofá, eu e minha irmã resolvemos ter sofás de palete – afinal, os colchões nós já tínhamos. Desses bem bonitinhos espalhados pela internet, sabem como? Meu pai, cheio de manias, não confiou que um palete pudesse nos sustentar e resolveu construir ele mesmo os três suportes de madeira para os três colchões. Mamãe entrou com a confecção de capas pretas para cada colchão e capas de chita para cada um dos onze travesseiros que usamos como encosto. Depois disso, meu pai construiu também um raque e uma mesinha de centro para arrematar a sala.

minha sala: uns móveis artesanais e um globo espelhado pirata
minha sala: uns móveis artesanais e um globo espelhado pirata

#4 Copos de festas

Essa moda de dar copo de lembrancinha em festa? Deixa rolar. Não fossem os copos de festa, esta casa não teria copos há um bom tempo. Eu até já tive copos de vidro, como adultos geralmente têm. Mas eles duraram pouco e padeceram em um ciclo impossível de alimentar, deixando meia dúzia de sobreviventes. Com os copos de festa, o armário da minha cozinha é quase como o armário da minha turma da pré-escola, no qual todos os alunos guardavam seus copinhos coloridos, descombinados e com tamanhos desiguais. Tem caneca de alumínio e tem copo de plástico cor-de-rosa, laranja, azul, preto, branco e transparente vindo de aniversários, casamentos, eventos acadêmicos e cervejadas.

#5 Vinil de sebo

Os vinis que eu tenho espalhados pela casa custaram menos de cinco reais no sebo e não são aqueles grandes achados clássicos de artistas reconhecidamente incríveis. Embora sejam de ótimos seres humanos: atualmente, dois álbuns do Dominó estão no topo da estante da sala. Desde que fui impedida de deixar rastros de cola de durex nas paredes, os outros discos soltos também habitam superfícies horizontais.

#6 Mural de post-its

Essa também nasceu na época em que morávamos com a minha amiga. Eu estava no segundo ano de curso, minha irmã e minha amiga eram calouras. Resolvemos começar então a colar na portinha de vidro do raque post-its com ideias de possíveis pesquisas acadêmicas; a maior parte delas, evidentemente, é impraticável (“engenharia elétrica e suas origens mitológicas: a influência de zeus”).

#7 Carrinho de feira

Por conta de um projeto no meu terceiro ano, Gabriela emprestou um carrinho de feira de sua avó. Passada a atividade, o carrinho e ficou na minha casa, mudou-se comigo e permanece até hoje, fazendo as vezes de porta-bolsas. Talvez um dia uma certa neta resolva levá-lo de volta para sua dona. Até lá, continuo sendo uma ladra que priva idosas de comer verduras.

#8 Banquinho amarelo

Sempre quis ter um móvel amarelo. Como não posso bancar um bonitão, vou me virando com um banquinho de madeira pintado de amarelo que cumpre o papel de criado-mudo e guarda celular e garrafa d’água durante a noite.

#9 Garrafas

Temos uma boa coleção de garrafas vazias. De cervejas, de vinhos que custaram menos de vinte reais, de vodkas e pingas que eu não bebi e até uma ainda cheia de guaraná jesus. Algumas delas viraram luminária, com um rolo de pisca-piscas dentro e um furinho na bunda pra passar a tomada.

#10 Canecas

Ao contrário dos copos, as nossas canecas são abundantes e duradouras – em cinco anos, quebramos apenas três. Minha coleção é querida, diversa e quase não cabe mais na prateleira. Tenho uma caneca de pedra que trouxe de Ouro Preto e nunca usei pra não manchar, tenho duas canecas natalinas, tenho uma da Hannah Montana, várias coloridas e uma maravilhosa adição recente traz o cheshire cat desaparecendo quando o conteúdo está quentinho.

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Minha casa não é um post do Casa Aberta, mas é (quase) minha. E cada coisinha faz com que ela seja um pouco mais minha.

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One thought on “10 gambiarras decorativas de uma casa quase minha

  1. “cotoco doido” <3
    acho que o copo do tinder merecia uma menção honrosa
    esses dias minha vó perguntou do carrinho. talvez um dia eu me lembre de levar embora.

    este post é a prova concreta de que nossos reality shows de reformas e decoração de repúblicas da z7 seriam o maior sucesso!

    CADE AS FOTA

    bjs

    Like

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